O ano paulino abre-se como oportunidade de reflexão e ao mesmo tempo de mudança, dado que a vida e a mística do Apóstolo Paulo nos desenham um arco de existência marcado por um antes, um encontro e um depois.Um dos parâmetros contidos nos testes modernos de personalidade (p. ex. o NEO PI-R, Inventário de Personalidade-Revisto) é precisamente o de Openness ou Abertura mental: ajuda a descobrir o nível da abertura de um sujeito à experiência, entendendo-se esta como procura activa da experiência como valor em si mesma. Uma alta pontuação desta parâmetro é associado a indivíduos que são curiosos, com uma forte imaginação, dispostos a ter ideias novas, mesmo não convencionais. Uma personalidade assim está disposta a reexaminar os próprios valores sociais, políticos e religiosos. Ao contrário, uma pontuação baixa é indicativa de um certo fechamento e propensão para aceitar a autoridade sem discussão e a respeitar as tradições. como consequência, tais pessoas tendem a ser conservadoras ou tradicionalistas. Levada ao extremo, a falta de abertura para os valores é considerada como sinal de dogmatismo.
O caminho de Paulo mostra-nos uma mudança de mentalidade na fé que corresponde a uma mudança de personalidade: do legalismo hebraico à liberdade cristã. Foi providencial para ele aquele encontro com Cristo ressuscitado, para que, depois daqueles dias de cegueira, pudesse olhar a sua relação com Deus e com a comunidade com outro olhar. Na realidade, tudo aquilo que lhe parecia como ganho passou a considerá-lo perda por causa de Cristo. Não será esta uma nova oportunidade para se quantificar e qualificar a forma como celebramos os sacramentos, a maneira como se pratica a caridade, a profundidade como se vivem as relações inter-pessoais? Afirmativo, vamos levantar a pontuação daquela escala!
