A inabitação da Trindade em nós

Quando a alma está fora de si mesma*, em Deus, então Deus autocomunica-se à alma. E a alma transorma-se sempre mais em Deus. A alma anela à forma de amor pra se tornar a forma da sua alma.

É Deus que forma a alma. Informa a alma com a sua graça e conforma-a a si mesmo; e ela è reconformada à sua imagem e semelhança.

Esta transformação amorosa não pode de forma alguma ser actuada pela própria alma. A única coisa que pode preparar esta transformação é pacificar e reduzir ao silêncio os sentidos, o intelecto, a vontade e a memória, de forma que o Amado possa doar-se a si próprio. As três faculdades devem estar vazias de toda a forma para estar completamente na presença de Deus, pois Deus comunica-se sem intermediários, nem os Anjos, nem os homens, nem de formas, nem de imagens. O Verbo pelo qual se comunica não tem volume e é livre de todo o peso, forma e acidentes.

É assim a autodoação do Pai a Cristo e no Espírito aos homens. Inabitação é, pois, «expressão teológica para significar que, pela graça santificante, Deus se torna especialmente presente na alma do justo. A vida cristã apresen­ta-se assim como exaltante experiência dessa presença.» (Enciclopédia Católica Popular, em http://www.ecclesia.pt)
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* Este estado é o da “quietude” (estar quieto) diante da imensidão de Deus que se oferece à alma; a mística é graça de Deus. O homem, habitualmente, tem outra forma de se aproximar de Deus – a ascese – que o predispõe para Deus com a inquietude. São os dois movimentos que fazem parte do todo: busca e encontro.

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