Talento e Carisma

Estamos a celebrar o Pentecostes, a vinda do Espírito Santo. Na segunda leitura desta Solenidade (1Cor 12,3b-7.12-13), Paulo fala-nos dos carismas diversos que são distribuídos em favor da Igreja no mundo, mas o Espírito é o mesmo.

Sobre o Espírito Santo, estamos novamente a descobrir que, mais do que um tema, Ele é uma presença, como os primitivos cristãos assim o receberam. Mais recentemente, levamos também a sério que Ele não desce somente de cima, mas está entranhado no nosso ser e vem de baixo para cima. Todos os baptizados transportam a Sua força e são chamados a estar abertos às suas inspirações.

Podemos, no entanto, distinguir entre “ter um talento” e “receber um carisma”. O talento pode ser uma predisposição naturaldo sujeito para um determinado valor que também poderá ser dom do alto. O carisma é dado pelo Espírito em favor da Igreja e do mundo na pessoa e circunstância que lhe aprouver. Talentos e carismas podem andar juntos. Quando se diz que “a graça supõe a natureza”, estamos a integrar aqueles dois elementos: um de baixo, outro do alto; um é predisposição, outro é determinação para um determinado fim; um é capacidade oferecida outro é competência discernida e reconhecida.

Talentos e carismas não se devem confundir, mas integrar sabiamente. Muitas vezes na Igreja deixa-se gerar a confusão, sem o devido discernimento, entre aqueles elementos, na hora de organizar a pastoral à volta dos ministérios e carismas. O Espírito Santo veio para todos, obferecer a todos a sua presença santificadora. A sua força, que se poderá chamar “a maior força nuclear” que a Igreja tem ao seu dispor, não é posse de ninguém em particular, mas diversidade de dons do único Espírito para a mesma comunhão.

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