Publicado em Integração Psico-Espiritual

O Espírito, o lado e as mãos

De Tomé todos lhe descobrimos já o limite e o mérito.

Por um lado, não sendo ele em primeiro assíduo à comunidade, sabemos que, por isso, não tinha uma fé mais forte, para o que precisou de tocar nas mãos e no lado de Jesus para acreditar. A comunidade favoreceu-lhe essa experiência.

Por outro, a sua atitude é para nós documental. É possível ser em acreditar sem ter visto, porque houve aguém que precisou de ver e tocar para acreditar. A nossa fé foi, assim, favorecida por causa da dúvida daquele inicialmente foi incrédulo.

No entanto, podemos experimentar, mais ou menos, nesta ou naquela fase da caminhada da fé, que em cada um de nós está um “Tomé”. Sendo a fé um dom, a abertura a esse dom não é automática, necessitando de um sair de nós próprios e do fechamento pessoal que caracterizou a primitiva comunidade antes do Pentecostes. As “portas fechadas”, o “medo” e a ausência da comunidade continuam a ser hoje os entraves à fé autêntica.

Onde estão, então, essas mãos e aquele lado para que este “Tomé” que está dentro de cada um de nós possa acreditar e agir segundo essa fé?

Joguemos com as palavras: portas fechadas e lado (coração); medo e mãos. Na abertura do nosso coração poderá estar a força para abrir as portas; na disponibilidade das nossas mãos poderá estar o início da coragem para agir segundo essa fé que vem da morte e ressurreição de Jesus. Ao mesmo tempo mãos e lado estão por aí disponíveis para quem quiser ver de verdade Jesus Cristo ressuscitado que Se apresenta nas pessoas e nas suas circunstâncias.

Falta o Espírito! A invocação deste é imprescindível, para que o evento pascal se faça concreto, segundo aquele dinamismo da fé, nas nossas vidas. “Meu Senhor e meu Deus!” tornar-se-á não só uma expressão diante do mistério da vida nova de Jesus, mas também um refrão de uma vida nova que transborda para a Igreja e para o mundo.

Autor:

Padre da Diocese de Viseu