Publicado em Integração Psico-Espiritual

O drama da Paixão de Jesus e a pedagogia cristã

O valor primário do drama reside no facto de ele permitir ao indivíduo uma experìência total de uma situação vivida e um discernimento completo que dessa situação lhe possa advir.
O confronto que um crente pode fazer ao contactar com a Paixão de Jesus pode permitir-lhe um conhecimento profundo da natureza humana que em Cristo encontra a máxima expressão de amor e liberdade (dimensão interior do confronto) e à relação (na dimensão exterior) com o seu semelhante.

Deixando-se envolver pelo poder do drama, o crente sairá transformado. Tenha-se em conta que o drama aqui evocado não é uma fixão ou uma fábula com fins unicamente históricos ou pedagógicos. É uma realidade acontecida que se repete, que se actualiza: o drama de Cristo é o drama do homem de hoje e de sempre; o acontecimento evocado é um real acontecimento salvífico.

Não basta, pois, uma simples participação nestes mistérios da Semana Santa somente como actos do dever religioso cumprido. É necessário “entrar dentro”, pôr-se no plano da realidade dos acontecimentos que se celebram, pois, ontolagicamente, são acontecimentos que actualizam e transformam a vida do homem, com a chave da sua liberdade, numa nova perspectiva do seu quotidiano e desempenho por uma nova humanidade.

Ajudam, de facto, a usufruir destas vantagens da dimensão dramática dos acontecimentos os actos de piedade popular que circundam a Liturgia, pois a ela orientam a atenção dos fiéis. É nesta perspectiva que o culto e a cultura se podem unir para fazer desta Celebração da Paixão e Ressurreição de Jesus Cristo uma celebração que envolva o homem todo: o seu corpo, a sua alma, o seu espírito, enfim, todos os âmbitos,l possibilidades e impossibilidades da sua existência.

Autor:

Padre da Diocese de Viseu