A parábola das três cruzes

Sobre o calvário estão três cruzes. Nós, normalmente só contemplamos uma: a cruz de Jesus que está ao centro. Sobre as outros não poisamos o nosso olhar ou, antes, brincamos com elas sempre que um trio de amigos se junta à mesa…

Porque, de facto, a cruz redentora é a mais importante, somos levados a pensar que as outras duas cruzes estejam ali por acaso, mas não é assim. Aquelas três cruzes formam um conjunto. Representam toda a humanidade com a sua Cabeça e Redentor!

a) A cruz não redimida: a cruz do do “mau ladrão” normalmente pintada aà esquerda de Jesus e com cores escuras, manifestando a sua pouca vontade de ter alguma ligação com a cruz de Jesus. Comporta-se como inimigo de Jesus. Para ele, a cruz não tem significado: só a descida física poderia libertá-lo daquele inferno. Mas tal libertação não acontece. É a cruz não redimida. E acontece estar assim amargamente ao lado de Jesus! Podemos perguntar-nos: quantas cruzes não redimidas não temos na nossa vida? Todos os sofrimentos, as situações em que nos revoltamos contra Deus, declarando-nos vítimas de um destino cego…

b) A cruz redimida: O ladrão da direita (o “bom ladrão”) é pintado normalmente com cores claras e com um rosto sereno, convicto de ter merecido a crucificação, reconheceno que Jesus é inocente; procura a sua presença e a sua relação com o Crucificado. Diante da cruz redentora devemos apoiar-nos longamente, porque devemos aprender a ver os nossos sofrimentos à luz dos de Jesus e procurar sempre a relação com a Santa Cruz.

c) A cruz de Jesus: ao centro, entre os dois ladrões, está a cruz de Jesus. A própria imagem é comovente: Jesus não está longe de nenhuma cruz. Por outras palavras: onde está uma cruz, um sofrimento, aí está Jesus. Não há dúvidas!

Porquê “a parábola das três cruzes“? Se lermos atentamente a habitualmente chamada “parábola do filho pródigo” em Lucas 15,11-32, damos conta que todos os personagens são “pródigos”, ou seja, sofredores: o pai é pródigo da presença do filho mais novo que se faz iniquamente longínquo; o filho mais novo é pródigo do amor do pai, do qual se afasta; o filho mais velho é pródigo porque não quer aceitar o dom da fraternidade sem reservas.

Faça-se o paralelismo destas personagens da parábola de Lucas e das três cruzes do Calvário. Ele é mediação daquele horizonte do Amor infinito de Deus.