Publicado em Integração Psico-Espiritual

Mas chega a hora – e é já! (Jo 4,23)

Jesus senta-se nos poços onde cada um de nós vai procurar saciar a sua sede. Os desejos levam-nos ao seu encontro!

Para Santo Agostinho (cf. Leitura do Ofício Divino do 3º D. da Quaresma), a mulher samaritana é figura da Igreja que ainda não saciou completamente a sua sede naquela fonte perene, mas que está convidada desde já a fazê-lo pois essa fonte está aberta!

A reflexão sugere-me que o diálogo de Jesus com a samaritana, para além dos elementos culturais que poderiam servir de “ruído” àquela relação, se pode caracterizar pela palavra intercâmbio, ou seja:

«Dá-me de beber» – pede Jesus; «Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha sede e não tenha de vir aqui mais vezes…» – suplica a samaritana. É como se Jesus dissesse: dá-me os desejos do teu coração, preciso da tua humanidade, vem encontrar-te sempre aqui comigo, à beira deste poço.

Retenho para comigo que aqui se encontra o núcleo fundamental da oração cristã, que começa com o confronto entre o desejar e o obter o que se deseja. A solução não está na solução pura de calar esse desejo, mas de o analisar, de o sentir a fundo, no “poço” da nossa humanidade que é rica, onde Jesus também Se quer encontrar connosco, fonte de vida e de uma paz mais autêntica.

É à beira do “poço” do nosso coração que Jesus pode ser a “água eterna” que sacia para sempre. Não se trata, pois, de não ter de ir lá mais vezes, mas de descobrir com esta presença, que resposta ou entrega fazer do nosso coração, transformando esses desejos. Jesus sabe como fazê-lo! Viveu, deixou escrito e enviou-nos Aquele Espírito que continua a iluminar-nos na compreensão da mente e do coração.

Autor:

Padre da Diocese de Viseu