Para que serve esconder um calo se no dia a seguir temos de calçar uns chinelos? De que serve esconder os sentimentos, sofrer em silêncio, para depois rebentar numa crise histérica, depressiva ou numa doença psicossomática?
Infelizmente, numa certa cultura do “eficientismo” até às útlimas consequências e da independência a todo o custo, marca de uma presunçosa superioridade, empobreceu o ser humano na percepão de que a sua vulnerabilidade é um dom, um estado de graça para descobrir novas partes de si e as potencialidade de crescimento que cada limite, ferida ou evento traumático consentem no seu interior.
Envergonhar-se da própria debilidade é querer esconder, por vezes mutilar, uma parte preciosa de si. Como escreveu Séneca: «miserável é quem jamais foi miserável».
Não é raro que muitos adultos vivem na crença-convicção de não ter necessidade de nada e de ninguém. Esta forma de auto-suficiência não é sinal de maturidade, mas a denúncia de uma história afectiva na qual não foi possível introjectar o sentido de uma justa e equilibrada dependência, entendida como oportunidade de viver confiando-se aos outros, de encontrar refúgio e protecção, segurança e encorajamento.
