«Na guerra dos sentidos, vence quem escapa!»

É com um certo humor que S. Filipe de Néri nos exorta a fugir das tentações, consciente de que, muitas vezes, a força humana não é suficiente para travar uma luta com o espírito do mal. Por isso, ele costumava repetir aos seus órfãozinhos: «Sede bons, se puderdes!».

Aquele «Pippo (Fillippo) Buono» estava convicto que o homem, por si só, poderá não ser capaz de vencer o mal. Daí a sua condescendência e compaixão diante dos que sofriam por causa do mal (de causa própria ou de terceiros). Ele procurou a via de ajudar o práximo muito mais que a via intelectual.

Está debaixo desta postura uma verdade: o homem só se pode educar com a confiança nele próprio. É verdade bem acolhida pela psicologia da maturidade psicoafectiva que quando o homem, desde os primeiros tempos do seu viver, não é ajudado a desenvolver essa confiança que o leva a manifestar-se na sua maneira de ser autêntica e individual, predisposto para o bem, então pode acontecer que o crescimento apresente uma certa idealização ou mistificação quer do bem quer do mal que o sujeitará a uma luta nem sempre coerente com as possibilidades reais do sujeito.

Contudo, o que aqui se quer sublinhar é que o papel da graça de Deus é insubstituível na luta contra o mal. Olhar com “outros olhos”, sentir com “outros sentidos” a realidade circundante, através da luz proveniente daquela graça divina, é condição sine qua non para descobrir por detrás das realidades terrenas a sua capacidade para ajudar ou prejudicar no caminho da felicidade eterna.

«State buoni, se potete!»