O "nó" que aproxima

Alguém comparou o pecado como um “romper da corda” da fidelidade no contexto da relação interpessoal (com Deus e com os outros). A partir do momento que a parte que “fere” essa fidelidade reconhece essa distância proporcionada pelo “corte” na corda e a parte “ferida” compreende o pecador, então pode dar-se o reatar do nó nessa fidelidade, através da renovada confiança.

Uma vez que a corda foi cortada, ao dar-se um nó, passa essa a ser mais curta, de forma a que a distância entre os interlocutores da relação passa a ser menor. Assim, o que parece afastar, se bem reconhecido, compreendido, perdoado e aceite interiormente, poderá ser uma oportunidade de aproximação entre os interlocutores.

Há circunstâncias onde, na relação, a “corda” não chega a ser cortada, de forma a ser conveniente um diálogo aberto e franco onde partilhemos as nossas ideias e, sobretudo, os sentimentos, mesmo os negativos. Com Deus, levar para a oração não só a mente mas também o coração é uma forma de integrarmos toda a nossa vida nessa relação.

Deus ama incondicionalmente e está sempre à espera da nossa abertura e consentimento livre para “reatar” essa relação que nos faz felizes. Proporcionou-nos essa possibilidade em Jesus Cristo, que nos deixou tão maravilhoso sacramento, o da Reconciliação, onde celebramos esse amor divino que nos atrai para a liberdade.

E nós? Como atamos os “nós” da relação com os outros por vezes “descoloridas” pelos ressentimentos não perdoados e pelos sinais de perdão não convenientemente acolhidos? É sempre hora de receber de Deus e de partilhar com os outros o que constantemente pedimos na oração do Pai-nosso: «perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos…».

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