Jejum "mediático"

No tradicional encontro com o Clero de Roma, o Papa Bento XVI convidou a um “jejum de imagens e de palavras” durante o tempo da Quaresma que a Igreja Católica se encontra a viver, defendendo a necessidade de “silêncio” na vida de cada um. “Temos necessidade de um espaço sem o bombardeamento permanente das imagens, de criar espaços de silêncio, também sem imagens, para abrir novamente o nosso coração à imagem verdadeira e à Palavra verdadeira”, disse.

O Santo Padre vem ao encontro da contra-corrente que hoje e cada vez mais se reflecte:

Do ponto de vista pedagógico estamos habituados a ouvir que «uma imagem vale mais do que mil palavras» e continua a ser verdade. No entanto, diante do referido “bombardeamento” começa a sentir-se também o contrário: vale mais uma palavra do que mil imagens. Na verdade, com uma imagem pode comunicar-se mais do que com muitas palavras. No entanto, estamos a precisar de voltar a dar importância ao valor essencial da palavra ou do conjunto simples de palavras que, por si só, pode levar-nos a conhecer ou contemplar a imagem fundamental, como salienta o Papa. O valor pedagógico inconfundível da palavra está no modelo das parábolas de Jesus.

Uma imagem pode chamar rapidamente à atenção, porque “fala” directamente dos olhos ao coração. Os sentimentos, neste caso, tendem a ser mais directamente “manipulados” sem o uso da razão. Assim, a fruição a que a imagem (publicitária ou não) sujeita os sentimentos faz com que a pessoa não deduza logo ao nível da inteligência e da vontade. Leva mais facilmente à decisão sem o uso do discernimento.

Por outro lado, a parábola contém nas palavras que desenvolvem automaticamente as imagens (dependendo da cultura e da formação da consciência) um potencial pedagógico que apela ao mesmo tempo à razão, ao sentimento e à vontade. Dispôe a pessoa mais facilmente para o discernimento a longo prazo, servindo de mediador da decisão.

Contudo, seguinto a exortação do Santo Padre, “limpar a memória cash” das imagens e das palavras que já não nos servem para nada, é um bom contributo para depois, deixar que a verdadeira in-formação nos traga a mensagem essencial, transmitida por palavras e o imaginário essencial, no diálogo verdadeiro entre Deus e o homens e deste com os seus semelhantes.