Publicado em Integração Psico-Espiritual

As "cinco chagas" de hoje

As feridas de Cristo na Cruz, fonte de vida e desta devoção muito viva entre os portuguses, são cinco sinais do seu amor pela humanidade. O simbolismo desta festa, plasmada na literatura religiosa e na onomástica, pode ajudar-nos a ir mais além do número das chagas (que já foi excedido em muito por algum exagero popular ridículo), assim como mais além de um compadecimento abstracto dos sofrimentos de Nosso Senhor.

Cristo mostrou o seu lado a Tomé, conservando, assim, no seu Corpo glorioso, essa manifestação para que ele acreditasse. É «pura condescendência da parte de Cristo» (Cf. Homilia de S. João Crisóstomo, LH, p. 1422). Hoje, no mundo, como na Igreja (Corpo Místico de Cristo), continuamos a contemplar chagas físicas, psicológicas e espirituais, que muitas vezes, mesmo manifestadas, continuam a gerar sofrimento, pela marginalização a que são expostas, diante dos olhares fugazes de quem não quer tocar nas feridas (suas ou de outrem).

O símbolo acima apresentado pode-nos apelar à contemplação e imitação do estilo de vida de Jesus que se pode qualificar como pro-existência, ou seje, um ser-para-os-outros, uma atitude de vida que revela ao homem que Ele veio não só para “satisfazer” a morte que pagou o preço dos nossos pecados, mas para selar uma nova aliança na solidariedade que está ligada à incarnação e à prática que está narrada nos evangelhos.

A “causa justa” pela qual se entregou Jesus continua a ser a causa da Igreja, que ele é chamada a desenvolver não só através de uma “onomástica” religiosa (qualidade de explicar a origem da fé), mas através de uma prática coerente com a origem dessa causa.

Coração, mãos e pés: os instrumentos ideais para a construção do Reino de Amor!

Autor:

Padre da Diocese de Viseu