Publicado em Integração Psico-Espiritual

A Páscoa em três passos

Oração, jejum e esmola são os três compromissos específicos da pedagogia quaresmal que tem como finalidade o aprofundamento do «sentido e do valor do nosso ser de cristãos, e estimula-nos a redescobrir a misericórdia de Deus a fim de nos tornarmos, por sua vez, mais misericordiosos para com os irmãos» (Bento XVII, Mensagem para a Quaresma 2008, n. 1).

Este tríptico sugere à nossa reflexão outros idênticos, em diversos planos temáticos: fé-esperança-caridade; memória-sentimento-vontade; no plano das relações: Deus-eu-os outros; no plano pessoal: espírito-alma(psíque)-corpo. Ao mesmo tempo, no plano da fé, faz-nos contemplar a Trindade: Pai-Filho-Espírito. O leitor ponha todos estes trípticos em paralelo (na ordem em que estão apresentados), e poderá encontrar a relação entre cada um dos elementos e, nessa correspondência, encontrar força dinâmica para dar aqueles passos pascais.

A Quaresma não é um tempo fechado em si mesmo, assim como aqueles três compromissos não se encerram no mesmo. É a Páscoa que, enfim, somos chamados a viver, num dinamismo que, ligado o tempo, tem um antes e um depois; e ainda um centro: Jesus Cristo, morto e ressuscitado. Retomano as plavras do Santo Padre, o objectivo é receber e dar misericórdia que, na sua origem, é uma palavra composta de misereo = piedade e cordis = coração.

A misericórdia é o sentimento pelo qual a miséria do outro toca o nosso coração. A nossa miséria pessoal toca o coração de Deus. A miséria dos nossos semelhantes toca o nosso próprio coração. Daqui se conclui que a força não vem só de cima, mas de baixo, da debilidade. No entanto, há que “acordar” o coração que, segundo a mentalidade bíblica, é centro de todas as forças humanas: centro da memória, centro dos sentimentos e centro decisional.

A dinâmica quaresmal é uma dinâmica do coração (cf. Os 2,16)!

Autor:

Padre da Diocese de Viseu