Memória bíblico-afectiva

De quanto já foi apresentado neste blog sobre memória afectiva e memória bíblica, deve concluir-se que é necessário realizar uma síntese entre as duas memórias: a memória bíblica deve tornar-se também afectiva, enquanto esta última deve deixar-se tocar, ou talvez mudar e curar-se (no caso de ser negativa) pela memória bíblica.

Recordar aquilo que Deus fez não pode ser um acto puramente intelectual diante do qual o coração permanece frio, mas um acto mais global que, enquanto abraça toda a vida, deixa também marcas emotivamente intensas, que depositam no coração e na mente a certeza de como Deus foi Pai e Mãe no passado, continuando a sê-lo no futuro. Neste sentido, o passado do crente é como uma lâmpada posta à entrada do futuro (LAMENAIS), lâmpada que abraça toda a história futura do indivíduo e doa serenidade e vontade de viver que contagia.

Se a memória bíblica não se torna também afectiva, permanecerá somente cultura. Se a memória afectiva não é “evangelizada” por aquela será só emoção subjectiva e puramente instintiva. O “crente da boa memória” sabe que até por detrás de situações negativas da vida passada se poderá esconder um significado do qual poderá, em circunstâncias futuras que “acordam” as emoções por elas geradas, ser sugada uma força tremenda e útil para a vida.

É esta síntese bíblico-afectiva que poderá desenvolver aquela necessária personalização da fé, para que esta seja autêntica resposta a Deus, dentrode um realismo esperançoso.

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