Ricos na pobreza

Os pobres andam sempre de mãos levantadas à procura da riqueza. Deve ter sido também esta capacidade constante de busca que atraiu Jesus à preferênica pelos pobres.

Este quarto domingo do tempo comum “convoca-nos” ao monte das bem-aventuranças. Nas oito palavras de Jesus, advertimos a necessidade de procurar uma felicidade não virtual, que não esteja “anestesiada” pelo bem individualmente convencional, mas real, que seja constante confronto e resposta com a realidade do outro.

Uma espiritualidade cristã autêntica implica-nos na realidade do outro que sofre a pobreza a todos os níveis… Só uma contemplação atenta e ágil diante dessa realidade, fora de nós, é que nos poderá pôr naquele Caminho de Verdadeira Felicidade que Jesus percorreu e traçou para nós.

Interpretar as bem-aventuranças de uma forma simplesmente piedosa ou com perfeccionismo moralístico pode não levar a nada. Há que fazer uso da memória de cada um, para dar conta no bem com que Deus já marcou a nossa vida, para que a atitude de gratidão nos leve a agir no tempo e na cultura onde cada um vive.

Está a perder-se a capacidade humana para a leitura dos sinais, talvez por causa do exagero dos sinais e das imagens publiitárias que nos confundem na leitura da mensagem. Da época em que proliferavam as técnicas do chamado peddy-paper herdamos talvez essa capacidade de, diante de concretos sinais, nos aventurarmos à procura da meta.

Pois, Jesus, com a formulação das bem-aventuranças, deixa-nos esses sinais inconfundíveis. No entanto, o caminho ainda não está totalmente percorrido. Os sinais estão por aí espalhados: nos rostos e situações de vida carente de atenção e justiça. Não são sinais estáticos (como no peddy-paper), mas dinâmicos, pois nem a sua presença passa despercebida ao próprio Deus, nem a sua oportunidade está sempre ao alcance para cada um.

Aproveitemos esta oportunidade para abrir os olhos e o coração ao caminho das bem-aventuranças. É hora!