Publicado em Integração Psico-Espiritual

Os níveis de integração pessoal

As tradições espirituais traçaram, de diversos modos, as “cartas geográficas” do caminho de transformação: da escuridão à luz, da ignorância ao conhecimento. Podem-se encontrar nelas pontos comuns, como a existência de um estado final de integração plena ou de iluminação.
A pessoa é chamada a conhecer-se a si mesma e ao mundo de maneira nova. É proposto um crescimento na visão profunda do ser que, è medida que cresce em sabedoria, vai transcendendo o ser “separado” de si mesmo, integrando nele todos os seus aspectos ou dimensões.

Muitas correntes de espiritualidade, cristã e não cristã, ocidental e oriental, sintetizaram vários tipos de progresso espiritual em etapas ou graus de perfeição. A psicologia do budismo tibetano, assim como o misticismo cristão de Evelyn Underhill apresentavam um caminho de cinco níveis de integração: a conversão, o acrodar-se, a purificação ou autoconhecimento, a iluminação, a noite escura da alma e a união ou vida integrada. Na tradição induísta, fala-se de sete níveis de consciência (ou chakra) que muitas vezes se manifestam só depois de superarmos certas provas:
1.2.3.4. Os primeiros quatro níveis seriam estádios de desenvolvimento comum em direcção à maturidade humana: evolução do “eu”, a maturação sexual-afectiva, o controlo de si, a abertura aos valores altruístas do amor e da compaixão. Este nível é, dentro da mentalidade ocidental, aquele que atinge a maior parte das pessoas consideradas “maduras”, o que se nota no desempenho psico-fisiológico que interlida corpo-emoções-mente. A psicologia humanista chama este nível de olístico ou gobal.
5. O estádio propriamente transpersonal começa no quinto nível. Jung afirmava que a humanidade começava a atingir este nível quando estava convicta que a transcendência tenha algum valor, deixando que sejam os valores espirituais a movimntar a história. É o nível da orientação espiritual do comportamento. Dá-se a conversão espiritual que faz olhar o passado, o presente e o futuro com a luz do perdão.
6. O sexto nível, intermédio no caminho místico, representa a esfera da percepção ideal. O oriente sustém que a mente humana seja o “sexto sentido” que ajuda a formar a psico-síntese que favoresce a identidade intuitiva.
7. O sétimo nível é o “sentido de si”, lugar máximo do encontro com o Absoluto, transcendendo qualquer tipo de distinção; o sujeito deixa de existir como realidade separada e atinge a unidade fundamental que é possível aqui na terra, em que tudo converge para a realidade misteriosa do infinito. Dá-se a unidade da consciência, em que o indivíduo se identifica com a vida eterna.

Esta geral descrição dos níveis de integração pessoal fazem-nos recordar o Castelo Interior de Santa Teresa. As sete moradas têm qualquer coisa de parecido com aqueles diversos graus de consciência ou com as etapas do caminho até ao centro do Castelo. No entanto, aquele caminho não é linear, mas oscilatório, com altos e baixos. Já São João da Cruz falava de “trabalho” e “tempestades” mesmo para quem tivesse atingido grande prosperidade. Da imaginação, chamada a «tola da casa» até ao «matromónio espiritual» vai um caminho de união cristã entre o Criador e a criatura, na qual ambos permanecem sempre diferentes.

Autor:

Padre da Diocese de Viseu