Publicado em Integração Psico-Espiritual

Integração pessoal: diálogo entre o consciente e o incosciente

Em posts anteriores apresentava o processo geral de integração pessoal, através da passagem necessária da fantasia ao realismo e da reactividade à pro-actividade e de como o emisfério direito e esquerdo do nosso cérebro, representando duas culturas e dimensões (dedutiva e indutiva) se devem envolver e integrar harmoniosamente para o crescimento pessoal.

Um outro modo de integração pessoal implica a exigência inconsciente de atingir os níveis mais altos da sabedoria, deixando-se guiar pelo uso da intuição. É uma tomada de consciência da realidade universal, à quel o indivíduo pertence e com qual está em constante interacção; é a realização da vocação à auto-transcendência plena num ambiente que vai mais além da consciência racional e que se abre ao âmbito cósmico e divino.

Alguns autores falam da presença e da unificação de um “inconsciente espiritual”, descrevendo a mente humana como um enorme iceberg ou massa de gelo à deriva, do qual a menor parte se vê acima da água e a maior parte escondida por baixo. Esta maior parte contém maravilhas de luz, potencialidades artísticas, criativas, místicas, que devem ser libertadas. Deste nível profundo nascem experiências místicas. É um nível de consciência que habitualmente permenece escondido, segredado no inconsciente espiritual.

Os psicólogos transpessoais tentaram sistematizar esta “ciência da consciência” e o alargamento do seu “potencial humano”. A sua pesquisa inicia-se com a demonstração de que a consciência habitual, racional, não é mais que uma parte daquela total. Na verdade, como observa William James, podemos passear pelo mundo mesmo sem ao menos nos apercebermos da sua existência, mas com algumas intuições ou discernimento, podemos também descobri-lo.

Assim, quando passeamos, algo do que percebemos com todos os sentidos, dependemos de como estão acordados para a realidade, nos ajudam a evocar a memória contida no inconsciente. O exame de consciência, desenvolvido pelo discernimento, ajuda-nos, também, a integrarmo-nos na realidade que percebemos e a pôrmo-nos ao serviço da mesma. Este diálogo entre o consciente e o inconsciente acontece sempre. A vantagem do discernimento é que seja harmonioso e vantajoso para a nossa realização pessoal e auto-transcendência, e não só um conjunto de manifestações diante das quais não se tem controlo, nem se obtém significado (ex.:as defesas, as obssessões, os sonhos, etc.).

Autor:

Padre da Diocese de Viseu