O meu irmão…

Caminhando em direcção à montanha, avistei ao longe uma besta. Aproximei-me e reparei que era um homem. Passei ao lado dele e dei-me conta de que era meu irmão.

Este provérbio tibetano ajuda-nos a compreender que a proximidade é um factor decisivo para se viver a verdadeira fraternidade. A distância, por sua vez, é fonte de injustiças no reconhecimento do outro como tal.

Aquele com quem me cruzo no caminho da vida, seja ele quem for, é meu irmão. Esta fraternidade universal, patente em toda a Sagrada Escritura como valor inquestionável, é uma das faces do mistério na relação do homem com Deus.

Mas aquele reconhecimento do meu irmão é mais do que simples resultado de uma proximidade física. O outro que se vai mostrando na minha vida surge como “pergunta”, como “desafio” e como “promessa”. A presença de uma pessoa a uma outra não pode acontecer puramente sobre o plano de um conhecimento simplesmente objectivo, se bem que sem conhecimento não se pode viver uma verdadeira relação.

Uma ameaça séria à presença da pessoa vem daquelarealdade própria do mistério da pessoa, característica do ser e não ser, do infinito e do limite, e que se traduz, a nível interpessoal, na área cognitiva, na tensão entre ser e aparecer. Mas também no plano afectivo, o encontro com o outro pode ser ameaçado, pois existe o risco que a presença do outro acontecer no seu aspecto parcial, numa predisposição a não receber o outro em todo o seu conjunto, de acolher com uma disposição que saiba aceitar, escutar e receber o outro na sua totalidade, na sua própria existência única e irrepetível.

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