Integração pessoal: 2. Da reactividade à pro-actividade

Um outro caminho no processo para a integração vai da reactividade à pro-actividade: a passagem de uma atitude instintiva ou impulsiva a um outro orientado para a criatividade ou ao próprio futuro.

Seguindo uma disposição geral diante da vida, as estruturas pessoais e, por consequência, os comportamentos, podem distinguir-se em:

a) Estruturas re-activas: do sujeito que reage impulsivamente ou que realiza uma reacção não livre provocada por um estímulo; nesse, prevalecem as necessidades de auto-defesa, de fuga a um passado a reparar, de defesa obcessiva das próprias pulsões, com sentimento de incomodidade ou de indignidade pessoal, com dependência ou rebelião diante das pressões exteriores. A nível imaduro, a conduta do sujeito é governada prevalentemente das necessidades fisiológicas ou de forças impulsivas, do humor… O tom afectivo geral é fortemente dependente de demonstrações de afecto ou de desprezo por parte de pessoas importantes para o sujeito. Até os juízos, incluídos os morais, são plasmados sobre o modelo das opiniões dos outros e sob a pressão de uma sensação prevista. Com o progredir para a maturidade, a sua conduta não serve mais, de forma prevalente, a forças impessoais, mas à realização de objectivos que o próprio sujeito fixa a si próprio.

b) Estruturas pro-activas: quando os dinamismos centrais da pessoa são orientados para um “futuro melhor” previsto e desejado, para o empenho e no amor ao bem, para a alegria de fundo no construir e no expandir-se. A conduta pro-activa é um elemento fundamental da concepção humanística que contempla o indivíduo inclinado a agir pelas suas intenções, pelos seus ideais ou pela sua filosofia de vida. Trata-se de uma personalidade madura, livre, unitára, presa à consciente construção de si.

A maturação humana passa normalmente da reactividade à pro-actividade e da impulsividade instintiva à “intencionalidade” ou tensão para um futuro pessoal melhor. O progresso espiritual pressupõe como sua base humana tal passagem: a pessoa liberta-se prograssivamente das “escravidões” internas e externas e dirige-se, a nível operativo, para a realização dos objectivos evangélicos.

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