Integração pessoal: 1. Da fantasia ao realismo

Ao verificarmos, nestas celebrações finais do Tempo do Natal, na evolução da personalidade de Jesus, da sua pequenez do presépio à manifestação da sua realiza universal e da maturidade no seu Baptismo, proponho a seguinte reflexão sobre o processo geral de integração da personalidade humana, objecto de estudo da chamada psicologia evolutiva.

“Da fantasia ao realismo” e “da reactividade à pro-actividade” são dois processos que predispõem essa evolução da personalidade humana para a maturidade.

A passagem da fantasia ao realismo significa a passagem de uma visão imaginária da vida a uma outra fundada sobre a experiência e os dados concretos da existência.

Num primeiro período, o processo evolutivo é caracterizado pela actividade de fantasiar como processo cognitivo e recorre ao princípio do prazer, da gratificação imediata verdadeira ou fantasiada pelos impulsos, para depois dassar ao pricnípio da realidade e dos valores como meta última. É a passagem das necessidades imediatos às exigências dos valores objectivos e à coerência de vida.

A atitude realista requer uma percepção objectiva de si, dos outros, do mundo, e uma aceitação ou adesão à realidade concebida como de facto existe. Só assim é que se pode passar da fantasia religiosa, dos ideais demaisado elevados, dos «sonhos de omnipotência» próprios da adolescência, na qual se imagina de se poder ser tudo a um projecto concreto fundado sobre a realidade de uma existência criada, descoberta e aceite pelo sujeito.

A consciência realista não é assinalada pela ânsia, o medo, a fuga ou por ritos mágicos, nem concebe a lei como princípio e fim de todas as coisas. A pessoa realista segue a consciência e as suas normas, não para fugir ao remorso, mas para caminhar em direcção ao bem, em direcção ao encontro pessoal e dialogal com Deus vivido como Amor e como Pai, próprio da religiosidade adulta.

O realismo, enquento adesão à realidade, numa serena e crítica consideração dos factos, traduz-se espiritualmente em virtude autêntica, disposição a aceitar e aderir a realidades parciais e à realidade absoluta: Deus e o seu desígnio de salvação. O realismo constitui a verdadeira humildade no reconhecimento dos limites creaturais e pessoais e do seu significado, fora do domínio da fantasia, do desejo irreal, das ilusões. No entanto, é também confiança serena e esperança que confia na acção de Deus. É uma atitude que exige um notável esforço ascético de purificação e de renúncia.

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