Regressar por uma outra estrada…

Quase a findar esta quadra natalicia somos convidados a contemplar a manifestação do Senhor a todos os povos através dos três Reis Magos.

Santo Agostinho, no seu sermão para esta Festa (201,1), faz a distinção dos Magos com os Pastores: estes anunciam o nascimento de Jesus aos judeus, aqueles aos pagãos; os Pastores foram conduzidos pelo anúncio do anjo, os Magos pela aparição de uma estrela.

É cheio de simbolismo o episódio dos Magos, através do qual o Evangelista Mateus (cf. 2,1-12), não só através dos factos que se referem ao nascimento de Jesus mas também através do que temos de fazer, nos deixa esta página para o nosso amestramento.

Há três tipos de atitudes que a narração deste evento nos faz reparar: a de Herodes, a dos sacerdotes consultados por Herodes e os Magos, e os próprios Magos. Ambas podem estar em cada um de nós, que vivemos o Natal, e temos diante de nós o desafio de o manifestar aos outros ou o perigo de o esconder ou apagar.

Herodes fica perturbado, apoderado pelo seu amor próprio, acabando por desprezar um Rei maior, transformando os Magos de mensageiros em espias ao serviço da sua ambição desmedida. Os sacerdotes sabem bem o que dizem as escrituras, sabem onde nascerá o Messias e sabem indicá-lo, mas não se movem, são passivos, indicam a estrada, mas não movem senão os dedos. Os Magos, protagonistas desta Festa, não instruem com palavras, mas com os factos, não com o que dizem, mas com o que fazem, põem-se a caminho, deixando a segurança que está em mover-se somente no próprio ambiente, para se meter à aventura de um novo.

Os Magos transportavam presentes: ouro, incenso e mirra. A Igreja viu nesses dons símbolos da realeza, da divindade e da humanidade sofredora de Cristo. Poderã ser para nós, hoje, também sinais através dos quais, na Igreja e no mundo, Ele nos quer manifestar a sua presença. O desafio da manifestação para nós está em transformar aquelas atitudes do medo e ambição perturbadoras de Herodes e o passivismo dos sacerdotes nos presentes que também transportamos em nós próprios, que o Espírito Santo coloca nas “mãos” do nosso ser para os entregarmos novamente, na manifestação de Jesus.

Olhos bem abertos, para que a manifestação do Senhor nos acorde para os que carecem do bem. “Regrassar por uma outra estrada”, significa que, diante da manifestação do Senhor na realidade que nos circunda, não podemos ficar indiferentes e ficar os mesmos. Quem realmente se sente tocado profundamente pela presença deste verdadeiro Rei, então o caminho de regresso para a vida será outro, mais coerentemente activo.

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