As raízes da esperança

Certamente que parece estranho falar da esperança mesmo quando já estamos a celebrar o Natal; muitos perguntar-se-ão porquê, se já obtivémos o que esperávamos: o Senhor já veio e a Liturgia traz-nos a Sua presença e não só a sua memória.
Alguns psicólogos, fundamentados numa antropologia cristã, afirmam que a esperança é uma virtude que se aprende na infância. Na verdade, a criança, habituada a esperar conforto daqueles a que está ligada por dependência física, psíquica e racional/espiritual, vai construindo em si, na experiência sobretudo afectiva, as bases daquela virtude que faz parte de toda a vida.
No coração de uma criança estão os fundamentos da virtude da esperança cristã. Quando, no caminho árduo da vida, a única solução é a esperança, esta, para ser activada, necessita que a luta do adulto dê lugar à serenidade confiante da criança. Afinal, vale a pena lutar, sim, mas, sobretudo no campo espiritual, essa luta tem de dar lugar ao abandono n’Aquele que tudo pode.

Assim, a esperança cristã nasceu com o Menino Deus e cresceu com Ele não com a força de um exército de soldados, como diz a liturgia neste dia dos Santos Inocentes, mas com uma inocente milícia de crianças. Muitos morreram por Ele para que Ele, depois da esperança, morresse por muitos. Agora voltam muitos, pela mesma esperança, a ser chamados a “morrer” novamente por Ele para que, na esperança, cresça o edifício da caridade eterna: o Reino.

Agora respondamos à pergunta: grandes de coração pequeno ou pequenos de coração grande, para viver e perseverar na esperança?!