Publicado em Integração Psico-Espiritual

Mais um lugar à mesa…

O Natal é inequivocamente a festa da família humana que acolhe o Deus-feito-homem. Nele, todos procuram estar juntos ou, caso estejam ausentes, todos são recordados… especialmente os que já partiram deste mundo.

O cristão é, pelo mandamento da caridade, chamado sempre a lembrar todos aqueles que não têm lar nem pão. Todos temos lugar à mesa divina da Eucaristia, mas nem todos têm tido a felicidade de estar à mesa humana da refeição calorosa da noite de Natal… É por isso que a “refeição total” também ainda não se cumpriu de uma vez por todas, para todos.

Bem! Podíamos ajudar um bocadinho, se para a noite de consoada convidássemos um pobre… ou lhe levássemos uma refeição quente onde ele se encontra… juntamente com um sorriso e um pouco de companhia afável. Pois! É fácil falar e, ainda mais, propôr, confesso!… Mas quem o conseguir está no bom caminho da santidade. Os santos, de facto, conseguiram transpôr as barreiras dos respeitos humanos e das convenções sociais que impedem a caridade cristã livre e desinteressada, como valor a realizar em si próprio, sem benefícios “retroactivos”. Venero as pessoas que o conseguem!

No entanto, a consciência do Natal acorda-nos para a verdade: sempre que não nos lembrarmos de corresponder com a caridade, estamos a fechar a porta da nossa “estalagem” ao Menino que quer nascer… E sempre teremos uma segunda hipótese: ir, ao longo da nossa vida, visitá-lo onde Ele se encontra… Porque Ele incarnou, quer dizer desceu à nossa carne, não se fez homem simplesmente. O homem pode, de facto, viver bem como um rei, mas o Verbo quis descer à debilidade da nossa carne. Por isso, Ele não existe simplesmente, mas é “pro-existente”, quer dizer: existe para nós, pobres, carentes de salvação.

No Natal, mais um lugar à mesa para a Caridade. Vamos não só existir, mas pro-existir, ser para os outros, os que não nos podem pagar…
É bom pensar nisto. Aliás: é melhor agirmos sobre isto!

Autor:

Padre da Diocese de Viseu