A Atenção e a Oração

Faz pouco, mas fá-lo com coração indiviso. Não fazer nada, senão com atenção.

Como se pode cumprir cada acção da forma mais consciente possível?

É melhor esperar um breve momento, antes que se faça alguma coisa de forma desgovernada: é quanto ensina a espiritualidade oriental. Os recentes estudos da psicologia transpersonal informam-nos que a cultura oriental é a cultura do emisfério direito do cérebro, aquele que age no mundo das artes, da música, da contemplação, da meditação silenciosa, da criatividade. A cultura ocidental, ao contrário, é mais “comandada” pelo emisfério esquerdo do cérebro, intervindo sobre as palavras, sobre as ideias, sobre a racionalidade e tudo o que está ligado às capacidades verbais. Esta cultura é racionalista, filosófica, tecnológica, que compreende só o que é compreensível aos sentidos, redutiva, separativa. Aquela outra é uma cultura em que prevalecea intuição, que é capaz de alcançar os níveis invisíveis da relação entre o humano e o divino.

A pessoa madura é a que exercita os dois emisférios do cérebro, desenvolvendo e integrando harmoniosamente aquelas qualidades. Daqui, no sentido desta relação harmoniosa com Deus, poderíamos perguntar: rezar com o coração distraído é oração?

A atenção é a primeira condição para a oração vital. Na língua grega há uma associação interessante entre proseuche (oração) e prosoche (atenção). A primeira não pode ir avante sem a segunda e a segunda é a porta de entrada da primeira. Simone Weil, em La pesanteur et la grâce, recorda que a atenção, no seu grau mais elevado, é a mesma coisa que a oração. Supõe a fé e o amor. A atenção absoltamente pura é oração.

É, pois, possível rezar sem distracções? À partida não, mas é algo ao qual podemos tender, ainda que só a alguns é dado o dom de um elevado nível de integração. O Papa João XXIII anota no seu Diário como ele costumava ser sujeito a distracções durante a oração silenciosa da manhã. O conselho que ele dava neste caso era: retorna ao teu ponto de partida, alma minha, e fá-lo com muita duçura.

Ajuda fechar os olhos, repetir uma breve frase, fixar o olhar num ponto concreto…

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