Fazer bem qualquer coisa de possível

Um breve dito budista pode tornar mais cara esta perspectiva: «A vida é impossível. Falamos bem qualquer coisa de possível. Talvez isso torne a vida possível?» (Rikyu, mestre japonês do séc. XVI). Este pensamento recorda uma das verdades daquela tradição budista: Tudo é dor, caducidade, inconsistência; a vida é impossível.

Aquele budista sugere que oferecer uma taça de chá a um hóspede com perfeição, inteiramente em função do mesmo hóspede, é uma forma de tornar a vida diversa, cheia de harmonia, pureza, respeito e paz. Depois que o hóspede beve o chá,a vida é diversa, mesmo se tudo aparentemente permanece na mesma.

Outras artes, inspiradas naquela cultura, como dispôr flores num vaso ou então colocar a flecha sobre a corda do arco e, de forma simples e decidida, esticar a corda e lançar a flecha, podem favorecer a unificação do todo, sem complicações e sem palavras. Um gesto puro, transparente, como um ritual. Desta forma se quer “fazer bem qualquer coisa de possível”.

Talvez, partindo destas “coisas possíveis”, executadas de maneira perfeita, possamos afrontar também a vida na sua opacidade. A vida permenece a grande preocupação, como a realização da existência humana, a humanidade do homem e a humanização da vida neste pequeno planeta.

«Uma coisa é certa – escrevia K. Jaspers: o mundo assim como é deve mudar. Senão estamos perdidos. Mas a premissa da mudança total é que eu mude – aqui e agora. Só assim haverá resoluçã: o mundo mudará». A sabedoria oriental é complementar a esta ocidental: «Aquele que no seu quarto tem um pensamento justo, encontra escuta a milhares e milhares de distância».

Quando eu faço o bem, não devo preocupar-me: o mundo inteiro encontra aí renovação, até os peixes nos oceanos e as estrelas do céu!