«O meu jugo é suave…» (Mt 11,30)

No dicionário, a palavra “jugo”, no sentido figurado, significa opressão, domínio, sujeição; e a palavra “fardo”, também em sentido figurado, significa peso, o que incomoda ou custa suportar.

O Senhor, no seu evangelho, demonstra-se como Aquele que vem para aliviar o nosso espírito, quando temos na vida de transportar fardos, muitos deles impostos por nós próprios ou pelas contingências da vida.

Santo Ambrósio, ao falar da Penitência, mostra-nos qual é a virtude que nos pode ajudar a aceitar e a promover esta levesa do espírito que a todos nos pode ajudar a percorrer o caminho da vida cristã sem desanimar e perder a alegria:

A moderação é a virtude que Jesus manifesta nesta sua pedagogia evangélica. Uma pedagogia da docilidade que atrai e não rejeita ninguém. Jesus, o Médico, reconforta para chamar a Si. Senão como poderíamos entender a sua compaixão? Como poderíamos caminhar para o remédio? Médico que não cativa leva o paciente a desligar-se do remédio!

A moderação ajuda-nos a aproximarmo-nos das pessoas e das coisas com uma justa medida, sem ultrapassar os confins pessoais que marcam a normalidade. Permite-nos, para além disso, aproximarmo-nos mais do sagrado que está também no que muitas vezes se chama indevidamente de “profano”. C. Jung lembrava que a aproximação do sagrado é a verdadeira terapia. Esse sagrado está, por vezes, onde não o vemos.

A plenitude do ser que todos os homens procuram implica uma base humana sólida para que, sobre essa “rocha firme”, cada um possa edificar o edifiício espiritual seguro e livre. Esta relação harmónica constrói a perfeita sintonia entre o plano criador e o plano redentor, entre a base humana e a nova vocação à santidade. Na formação e no crescimento pessoal muito se tem trabalhado a espiritualidade e menos aquela base humana. Não podemos, pois, esquecer que o Criador pediu a colaboração do homem para a sua Criação. Promover o homem, significa pois, à patida, promover a pessoa humana.

É aqui que a pedagogia de Jesus nos demonstra o seu efeito. A sua mansidão e humildade atrai para o crescimento. Diante desta pedagogia de Jesus, entendo melhor porque é que ele permite que, humanamente, me sinta sempre imperfeito. Sei que trabalhando a minha natureza humana, a graça vem acrescentar-se à tarefe, pois a graça trabalha sobre a natureza (S. Tomás). A mansidão e a humildade, provocadas por aquela moderação, ajudam-me a não perder a alegria interior neste desafio espiritual de auto-transcendência e realização pessoal.

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