A luta espiritual e a experiência do limite

O homem é potencialmente infinito: ao seu nascimento pode, de facto, aprender qualquer língua, realizar qualquer projecto, tudo parece igualmente ser possível diante da gama das suas possibilidades, poderá ser empreendedor, monge, professor, explorador, atleta…

Para além disso, um desejo leva-o a dez, e a mil outros desejos possívels, esses não conhecem mais a palavra fim, mas sempre a acrescentar-se com o passar do tempo; ler um livro chama-o a outras mil leituras possíveis, uma pessoa conhecida mete-o por sua vez em relação com outras pessoas a essas vizinhas, uma experiência abre-o a outras…

Esta sentimento de potencialidade infinita, que é próprio do ser espiritual, pode ser posteriormente reconhecida se se considera o aspecto da imginação e de fantasia presente no desejo de ser mais: com o pensamento, o homem pode mover-se e encontrar-se em otro lugar possível, pensar em diversas pessoas, imaginar conversas interessantes… tudo a fazer sentir-se o sujeito num certo sentimento de omnipotência… sempre numa catadupa de experiências, quase não se chega a dizer “basta”…

… Até que, unido ao fascínio de novas descobertas, emerge mais tarde ou mais cedo também o cansaço e a desilusão, a percepção do limite: se não for outro, o próprio tempo tende a redimensionar o sentido de omnipotência do desejo. Entramos assim na direcção que move para o redimensionamento que, através do tempo, elimina progressivamente as possibilidades dadas: a vitalidadade declina pouco a pouco, à medida em que nos afastamos da juventude.

É útil, pois, a este respeito, reflectirmos sobre o conceito de temporalidade, que juntamente ao de alteridade e dos estádios da vida, constitui um parâmetro do desenvolvimento humano. Este conceito define o homem como aquele que é constituído pela sua herança passada, mas não só!

Como dizia K. Jaspers, «aquilo que o homem é, torna-se através de um projecto que é feito seu». Aqui se confirma a convicção de que o homem colebora na sua construção pessoal a partir do que recebe.

No entanto, expandir-se, estudar, procurar, relacionar-se, etc… – aquilo que antes era mais fácil -, torna-se cada vez mais difícil. Daqui nasce a pergunta:

Como é que a pessoa pode ultrapassar a experiência do limite sem se fazer mediar de anti-depressivos e sem perder a saúde da alma que o leva à vida eterna?

Talvez a luta espiritual lhe dê a resposta, assim como a experiência do próprio limite. Sem o isolamento (parâmetro fundamental da alteridade), relacionando-se com Deus, os outros e consigo próprio, o homem encontrará a resposta às suas ânsias mais proundas, sobretudo as que o marcaram nos primeiros estádios da vida.

Lutar torna-se, assim, a essência do devir humano, a realização plena através de UM cada vez mais claro e decisivo caminho.