Publicado em Integração Psico-Espiritual

Vaso quebrado e reconstituído

Suponhamos que estão diante de nós dois vasos de flores em porcelana finíssima. Ambas de forma extremamente complexa, de incomparável valor, elegância e beleza. Sopra o vento e um dos dois cai do que o segura e acaba em pedaços. É contactado um expert que vem de uma terra longínqua. Escrupulosamente, passo a passo, o expert cola todos os pedaços uns aos outros. De repende o vaso quebrado está de novo intacto, sustendo a água sem a deixar verter, aqueles que o vêm não notam as imperfeições. Mas agora este vaso é diferente do outro. As linhas segundo as quais esteve quebrado, uma recordação subtil de ontem, permanecerão sempre visíveis a um olho esperto. Porém, possuirá uma sabedoria, dado que sabe algo que o vaso que nunca esteve quebrado não sabe: sabe o que significa quebrar-se e tornar a integrar as suas peças. (A parábola dos dois vasos de flores, in: SALMAN AKHTAR, Broken Structures)

Esta história serve de metáfora a muitas experiências dramáticas de auto-análise, sobretudo quando esta leva a pessoa humana a revisitar o passado de forma a decompor os elementos da sua história. O objectivo dessa auto-análise não deve ser outro que a integração de todos os aspectos, já que fazem parte integrante desse “vaso”, para que fique completo.

Grande parte do louvor a Deus presente na vida de muitos homens e mulheres que são para nós referência de santidade é constituído não só pelos factos positivos das suas vidas, mas também providencialmente pelos factos menos bons que, pela misericórdia infinita do Pai, na busca do modelo da humanidade do Filho, através da “goma” amorosa do Espírito voltaram a restaurar-lhes a semelhança da Sua imagem.

Autor:

Padre da Diocese de Viseu