A narração da vida precisa de um interlocutor!

Contar a vida é uma actividade subjectiva, mas é por natureza própria um acontecimento relacional. Quem se conta, de facto, procura orelhas que escutem, procura um outro, um interlocutor a quem contar, confiando-lhe a própria história, um “tu” que reagirá de uma forma ou de outra, ou somente fazendo eco ou provocando a fazer alguma modificação no contar a história.

Mas a relação não é só uma “orelha de escuta”, mas também um “ventre” do qual nasce ou é ajudado a nascer um certo sentido.

O outro não entra só em cena como interlocutor actual, mas também como aquele “tu” ou “Tu” que habitou de qualquer modo a vida do narrador no passado, ou fez parte desse, daquele passado que agora é recontado.

Definitivamente, não é a narração de uma história é relacional, mas também o sentido dessa história é relacional.

Desta pequena reflexão deriva a questão da necessidade indispensável de um interlocutor para que um “narrador” não só possa contar a sua história e dar-lhe um novo significado, mas também fazer dela espaço de comunhão, de dar e receber. Porquê resistir a esta necessidade de um interlocutor? Para quê contar a história no silêncio ofuscador?

Certamente que o meu leitor compreende que quero falar da necessidade para que cada um sinta Deus como primeiro interlocutor, na oração, e também o director espiritual, o amigo ou confidente, como aquele que ajuda a pessoa a contar-se para sair fora de si ao encontro da plenitude.

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