Publicado em Integração Psico-Espiritual

O que não é integrado torna-se desintegrante!

É já muito difundida, na área da maturação da pessoa humana, a importância da dinâmica da integração de todos os elementos que constituem uma personalidade.

Para que uma personalidade amadureça é importante, pois, que nela se integrem todos os aspectos e elementos: valores, necessidades e atitudes.

Integrar todos aqueles elementos de uma personalidade concretamente vividos em factos, palavras, relações interpessoais, etc., significa encontrar um “centro de significado” que dê lógica ao que foi e é vivido. Usa-se aquela memória significativa (mencionada no post anterior) para que a vida de cada um não seja esquecida, mas gravada e interpretada, para que tenha um sentido lógico. Senão corremos o risco de perder os factos, de não aproveitar a carga positiva que eles nos dão para o crescimento, ou ainda de os deixar “andar à deriva” dentro de nós, a causar danos de forma imperceptível.

A ausência do “centro” ou “esquema de significado” pode determinar um processo de não integração, com sérias consequências a nível psíquico, já que a psicodinêmica é o “coração” psíquico da personalidade (RAVAGLIOLI, Psicologia…, p. 232). O que não é integrado, de facto, torna-se desintegrante. Aquele “centro de significado” é o “contentor” de todos os factos que fazem parte da “trama” nossa vida e, por um lado, dá significado à vida e, ao mesmo tempo, recebe-o (CENCINI, Raccontare e raccontarsi…, p. 253).

Esta reflexão tende para as seguintes questões que nem sempre nos lembramos de colocar diante da análise do nosso quotidiano:

– O meu dia-a-dia, por mais banal ou rotineiro que seja, tem-me apresentado elementos que confiram significado à minha vida e vocação?
– Valores (actuais, ideais), necessidades (biológicas, afectivas, espirituais), atitudes (comportamentos) – costumo analisá-los frequentemente? Ou deixo que o “instinto de sobrevivência ” os comande?
– Como recuperar o significado da vida e vocação quando os sentimentos e emoções diante dos acontecimentos e da relação inter-pessoal parecem não ter sentido ou ser evasivos, ou ainda, não encontrar enquadramento lógico?
– Já dei conta que o que não chego a analizar e, por isso, a controlar, pode tornar-se uma força inconsciente a intervir descontroladamente no meu dia-a-dia?

São perguntas que naturalmente se devem propor, ou evitá-las!, através de um periódico exercício de “narração” da nossa vida, mental ou verbalmente, formulando os acontecimentos de forma a poder contá-los. O oração, a direcção espiritual e a confissão, para além da ajuda terapêutica, poderão constituir um santuário onde a integração de todos os elementos da personalidade, desde os mais positivos aos negativos, poderão tornar-se uma fonte de graça e de uma vida mais plena, cheia de significado operante.

Autor:

Padre da Diocese de Viseu