"Reciclar" a vida dos Santos

As congregações de vida religiosa fundam-se na vida dos santos. O Cristianismo foi fundado por Cristo. Sem comparar, claro, dá-se conta que os valores anunciados por Jesus Cristo traduzem-se de muitas formas da vida cristã através da história da Igreja.

No entanto, muitas vezes lê-se a história de um Santo fixando-se somente numa passagem da sua vida ou numa frase que ele deixou escrita, melhor seria pelo carisma que lhe foi confiado ou obra/congregação.

O que se propõe nesta reflexão é:

Não será que a vida inteira de um Santo, desde o início até ao seu fim, podemos encontrar factos, relações pessoais, dinamismos, acontecimentos positivos ou negativos, que nos possam iluminar na sua leitura, muito para além de uma visão unilateral ou esteriotipada?!…

Muito nos teriam a ensinar, como exemplos de vida, se as “vidas de santos” fossem narrações da sua vida inteira, interior e exterior. Já aconteceu na minha incursão pela vida de um ou de outro santo, relatada por outrem, reparar que se diz que o conhecimento da sua humanidade é importante para o conhecimento do seu carisma, mas depois deparamos com a “omissão” de tal ou tal época!

Com a palavra “reciclar” proponho que a vida dos santos e dos seus carismas de que foram portadores seja apresentada com realismo, por um lado, lendo a sua história humana como ela foi na verdade (no humano também se revela o divino!); por outro lado, com sentido de fé, contemplando a obra de Deus na sua vida, fazendo-o referência para nós. É como somos chamados a fazer com Jesus Cristo: primeiro a relação com a Sua pessoa, pois Ele, muito para além da nossa inteligência, atrai-nos; posteriormente, conhecê-Lo melhor e a sua doutrina desenvolve mais eficazmente a nossa vida cristã.

É assim que alguém, ou um Santo, poderá ser modelo para mim, ao mesmo tempo em que será modelo para outra pessoa, lendo através de outro prisma de leitura, mediante a experiência circunstancial do leitor.

Desta forma, os livros que nos transmitem as vidas de santos não serão “trasladações de ossadas” que não transmitem vida, mas experiências espirituais chegadas à sua consumação, que poderão ter um efeito de “eco” nas nossas experiências humanas actuais e concretas, conferindo-lhes algum sentido, se lidas com realismo esperançoso.

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