Vida espiritual: trabalhar sobre um tear…


… ou “tela humana” sobre a qual se tece uma vida sempre mais plena. É curiosa também esta metáfora! O tecelão, ao fazer o seu tapete no tear, vai entrelaçando os fios originais com os quais quer compor a sua imagem sobre os fios já dados e seguros no tear. Usando cores disponíveis para formar a sua imagem, não se preocupando de imediato a cortar os fios que sobram; só quando o tapete se vai configurando com segurança é que é capaz de cortar os nós e fios que serviram de suporte até o tapete estar completo.

Acontece algo semelhante com a vida espiritual: precisa de uma matriz sobre a qual se preenchem as formas e as cores da imagem que teima em se fazer alcançar: aquela imagem pessoal e cristã, inspirada pelo Espírito de Deus. À medida que a “tela” vai sendo preenchida, a parte visível esconde a parte de trás da imagem, muitas vezes feita de esforços e defeitos que não se vêem. Estes não significam duplicidade, nem falta de transparência, mas somente a parte de trás de uma tela que vai sendo preenchida com cuidado. Muitos “fios” menos coloridos ou positivos, muitas vezes fortes e rudes, que servem de suporte a esta criação e crescimento humanos, necessários para suportar outros fios mais coloridos i vistosos da criação… poderão ser retirados no final da obra ou somente escondidos dentro dela!

Quando a pessoa vai descobrindo o significado daqueles sentimentos ou acontecimentos menos positivos, que a levaram ao crescimento, e ao mesmo tempo vendo a obra que o Espirito de Deus vai realizando com o auxílio da sua docilidade, então, que importará finalmente senão a “obra final” contemplada com alegria: primeiro por Deus que vê a obra total antecipadamente… depois pelos outros que vêm de forma imediata a aparência, enfim, a pessao na relativa consciência da causa-efeito que a levou a esse passo no crescimento.

No entanto, perguntemos: quem lidera os braços do “tear”? Em que matriz tecer? Que “fios” utilizar para desenvolver a obra? Uma espiritualidade autêntica exige estes pressupostos, para que a pessoa não tenha sorpresas ao chegar a contemplar a obra final!

No que é possível liderar com a devida docilidade ao Espírito, façamo-lo! Na consciência, porém, de que trabalhamos sobre uma “tela” já dada…