Um "grão" de fé!


«Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a essa amoreira: ‘Arranca-te daí e planta-te no mar’, e ela havia de obedecer-vos.» (Lc 17,6)

É assim que Jesus exorta os Apóstolos, que lhe pedem: «Aumenta a nossa fé.» (Lc 17,5)

Aquela resposta-solução, já sabemos, exerce a tal pedagogia que destaca a qualidade da quantidade, referiando aquela como critério de crescimento na fé. É precisamente aqui que incido a nossa reflexão psico-espiritual – o referendo entre a quantidade e a qualidade:

Em Psicologia, “qualidade”, antes de ser considerada no sentido de propriedade, emprega-se para designar o modo de ser de um conteúdo vivencial que não definir-se com uma palavra de significação mais estricta. Fala-se, p. ex., da qualidade de uma cor, , de um som, de um sentimento. Podem distinguir-se, para além disso, na qualidade de uma sensação, a modalidade e a intensidade. (cfr. F. DORSCH, Diccionario de psicologia, Herder, p. 172)

Assim, “qualidade de vida” é critério sumário de valorização e optimização com o que se julga em que medida as circunstâncias concretas da vida humana aparecem nas mais diversas perspectivas como valiosas ou como insatisfatórias e necessitadas de melhoramento. (cfr. idem, p. 91) Para a determinação quantitativa da qualidade de vida as ciências sociais utilizam diversos indicadores sociais; em psicologia aplicam-se principalmene métodos de medida baseados na experiência interna. E em espiritualidade?

A “qualidade de vida espiritual”, construida na base do fundamento da fé cristã, trata de resolver aquele “referendo” quantidade/qualidade através da dialéctiva entre quietude espiritual e actividade espiritual, ou seja, abandono na vontade ou acção providente de Deus e o exercer da nossa liberdade pessoal.

Se nos apoiamos só no abandono, de forma a adormecer a liberdade pessoal, podemos correr o risco de viver uma fé recebida por herança somente como uma qualidade estática, que não se move e não cresce, nem melhora por causa da dependência. Se nos apoiamos exclusivamente numa vivência activista da fé, sem aquele abandono confiante no Autor da fé, apoiando-nos nos nossos próprios méritos, acabamos por dar o nome de fé a uma existência antropocêntrica.

Um “grão” de fé bastará para fazer a diferença, quer dizer: interessa mais o modo (mais uma vez a importância do modo!) do que a quantidade, embora esta nos ajude a ensaiar aquele. Enfim, interessa o amor, vivido numa condução equilibrada da dialética dos valores!

Não penses que podes acabar com esta dialética. Agarra-lhe as “rédias”!

%d blogueiros gostam disto: