As coisas usam-se… as pessoas amam-se!

Deve ser, em suma, esta a mensagem do Evangelho deste XXV Domingo do Tempo Comum (ano C), presente em Lc 16, 1-13.

Não podemos servir a dois senhores: ou Deus ou o dinheiro! Enfim, está aqui presente a frequente acentuação da importância de uma escala de valores na relação com as coisas e com as pessoas.

Mas como será possível pormos as coisas à frente das pessoas, no plano do que vemos e pôr tudo à frente de Deus?! Terá a ver com a forma como, desde crianças, nos ensinaram a relacionar com a realidade externa através de uma educação comportamental diante das pessoas e das coisas? Certamente!

A este respeito, a «teoria das relações objectais» oferece-nos um olhar sintético e inclusivo sobre o inteiro processo de desenvolvimento (afectivo, cognitivo, de identidade pessoal, de relação interpessoal, de abertura às instâncias morais, etc.). É uma teoria que se esforça por interpretar o estruturar-se da personalidade (dimensão intra-psíquica) no seu impacto com os outros (dimensão inter-pessoal), a partir da relação primária com a figura parental materna*. Para saber mais, clique aqui.

Enfim, a educação na infância é muito importante como pressuposto de predisposição a viver aquela escala de valores proposta pelo Evangelho. No entanto, o ser cristão põe-nos diante de uma escolha: Deus ou o dinheiro; quer dizer: os valores espirituais ou os materiais… Integrar, no momento presente, as nossas capacidades cognitivas (da mente), afectivas (do coração) e volitivas (da vontade decisional) nesta escolha é uma metodologia que poderá ajudar a crescer para Deus e para os outros, utilizando bem tudo o que, no mundo, é bom e conveniente, ultrapassando, assim, os estádios do desenvolvimento da personalidade que nas primeiras fases da vida foram ultrapassadas de forma sempre limitada.

Em conclusão, através do Evangelho, Deus Pai continua a educar-nos nos verdadeiros valores apresentados e vividos por Seu Filho Jesus Cristo. Que a força do Espiríto nos abra a esta pedagogia divina!
_______________
* Cf. Alessandro M. RAVAGLIOLI, Psicologia. Studio interdisciplinare della personalità, Ed. EDB, Bologna 2006, pp. 169-170.

%d blogueiros gostam disto: