Mais difícil de dar o que temos… é dar o que somos!

Com o tempo, vamos aprendendo o despreendimento. A experiência e o valor da relação com os outros vai-nos ensinando a usar o que temos a favor dos outros e da relação recíproca que a idade nos vai ensinando ser um dos valores mais altos, salvo excepções de índole patológica.

Dar o que somos é diferente! Ou o fazemos com radicalidade no momento presente ou o futuro fica comprometido, situação que nos leva a não estar nem na causa nem no efeito da nossa realização de felicidade.

Precisamos do confronto, pois, «entre as modalidades auto-destrutivas ou inadequadas de comportamento ou pensamento mais comuns, são: 1. as discrepâncias ou incongruências sistemáticas entre o que alguém pensa e sente, entre o que sente e diz, entre o que diz e o que faz; 2. as distorções da realidade (ler a realidade como ela é, não a utilizando em favor próprio); 3. jogos, táticas relacionais, ou “cortinas” comunicativas esfumadas nas quais a pessoa obtém gratificações ou se defende instrumentalizando de forma inconsciente a relação com o outro; 4. as evasões ou tentativas de sobrelevar-se nas verbalizações, generalizando e abstraindo para fugir a uma concreta realidade que assusta ou não é aprazível»*.

O confronto com os outros, sobretudo com quem exerce uma missão de ajuda pessoal, é, pois, uma experiência de risco, pois convida-nos a uma relação de empatia, mais do que de simpatia. Esta resulta da partilha de afectos e de afinidades, aquela implica que a pessoa se “meta” na pele do outro, vendo o mundo como ele o vê.
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* G. EGAN, The Skilled Helper, A Model for Systematic Helper and Interpersonal Relating…, in: R. CARKHUFF, L’arte di aiutare, Ed. Erickson, Trento 1993(2), p. 26.