À procura de outra praia… de um outro mar…

Nestas férias, estando na praia, cruzei-me com uma menina portadora de uma deficiência e sua mãe. Não nos conhecíamos; foi-me apresentada… Interessante foi o facto de que estando também ali de férias, aquelas pessoas não procuravam só o descanso. Na conversa breve que tivemos, dei conta de que aquelas duas procuravam desenvolver amizades com os veraneantes. Porque será que no meio de uma multidão uma mãe apresenta a sua menina com deficiência?
A finalidade, parece-me ser a de encontrar naquele cenário uma outra praia e um outro mar: uma praia de pessoas que reconheçam, mais do que a utilidade, a dignidade do ser de quem vive com uma deficiência; um mar que seja sinal e manifestação do imenso amor de Deus. Deste Amor, acredito que aquela menina e sua mão não têm dúvidas. No entanto, parece-me que andavam à procura da sua concretização na sensibilidade de alguém…
Para além da oração que me pediram, lá dei alguns conselhos. Que lhes poderia dar mais?! Confrontei-me, pois, com a minha real “deficiência” em poder ajudar naquele momento uma menina que, quase da minha idade, não encontrava um espaço onde pudesse realizar as suas aptidões e relacionar-se como pessoa. Por analogia, a partir desta “outra praia” que este encontro me favoreceu a estada, constatei mais uma vez a real “deficiência” presente nas instituições, sejam elas de que carácter forem: falta a coragem e estratégia que integre a TODOS!
Afinal, quem é portador de deficiência? Quais são os parâmetros que a definem? De uma coisa estou, para já, certo: é preciso “visitar” essa outra praia da relação afectiva e efectiva, para conseguirmos, de uma vez por todas e sem equívocos, contemplar um outro mar que nos leve a entrar na Imensidão…
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