Publicado em Integração Psico-Espiritual

burnout

A síndrome de burnout surge como risco psicossocial nas profissões de ajuda ― trabalhadores sociais, médicos, enfermeiros, psicólogos, sacerdotes e religiosos ―, define-se por uma «desadaptação emocional que o trabalhador das profissões de ajuda vivem nas actividades que comportam um contínuo contacto com as pessoas»[1]. Esta síndrome, que também pode vitimar pessoas que se consagram ao ministério pastoral, é ainda hoje um campo aberto de investigações que, dentro de diversas causas, sublinham uma excessiva exposição e instrumentalização institucional da pessoa em favor de um grupo ou comunidade de forma a diminuir a sua energia afectiva[2].
A maior causa talvez seja a da despersonalização da pessoa que se sente sempre tendencialmente vista em função da instituição ou da sociedade, deixando de se “ver” a ela própria, sem narcisismos, de forma a considerar-se também ela necessitada de atenção e cuidados.
Outra causa pode ser a insatisfação profissional ou pastoral (no caso dos padres), fruto porventura de uma preparação limitada ou de uma expectativa não muito realista do futuro trabalho ou ministério. É cada vez mais preciso lidar com estas limitações-causa de muitos dissabores e apatias profissionais e pastorais.
Aquilo que por vezes parece ter a aparência de “vida dupla” não é mais do que efeito daquela despersonalização: a pessoa sente-se distanciar dos outros emocionalmente e a procurar fontes de satisfação emocional, já que as relações normais da profissão/vocação lhe causam irritabilidade emocional. Comportamentalmente, a falta ao trabalho ou o descuido/desprogramação pastoral são efeitos daquelas causas que é preciso curar.
Na verdade, a preparação dos que têm a missão de acolher, ajudar, educar, formar, etc., não pode ser só intelectual (ter na “ponta da língua” o saber que se transmite), mas também humana (conhecer os dinamismos ou forças inscritos no “eu” profundo que entram em interacção na relação com os outros); a preparação espiritual que leve a pessoa a saber conduzir todas as suas realidades interiores pondo ao serviço as melhores e controlando as mais débeis, atrevés de uma Sabedoria que lhe esteja acima e que a ajuda a superar-se.
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[1] R. BAIOCCO, Il Rischio Psicosociale nelle professioni di aiuto…, p. 36.
[2] Cf. G. RONZONI, Preti “bruciati”…, p. 8.

Autor:

Padre da Diocese de Viseu