Um ministro na Igreja: de que "massa" humana?

Como certamente já lemos por estes posts, o homem realiza-se quando se transcende por amor a Deus, o que significa viver segundo os valores cristãos. Mas o homem é também feito de necessidades básicas, fundamentais para conseguir sobreviver nesta sequela dos valores que o “realizam”.
Há necessidades do homem que, usadas bem, o podem ajudar a ser “útil” no exercício de um ministério. São essas necessidades, suscintamente: de ajudar os outros, de ordem, de conhecimento, de reacção (audácia para superar as dificuldades), afiliação-colaboração, conseguimento (sair-se bem nas coisas difíceis).
Outras necessidades inscritas no interior do homem estão em contraste com os valores cristãos e, por isso, por sua natureza não podem estar de acordo com a vivência de qualquer ministério: a necessidade de inferioridade (sim, há uma necessidade profunda de auto-humilhação!), de exibicionismo, de agressividade, de dependência afectiva, de evitar o perigo e o insucesso, a gratificação erótica.
As estruturas que estão ao serviço do bem pela humanidade, como a Igreja e as suas comunidades, não podem promover estas segundas necessidades.
Para isso, o estilo de instituição tem der ser apurado, para que as pessoas chamadas a exercer um ministério saibam “usar” bem os seus recursos interiores e, ainda que os vivam e assumam, não “alimentando” as necessidades menos positivos, conduzindo-as e integrando-os na sua vida.
Esta reflexão apresenta, por isso, como estilo que proporciona uma melhor preparação e vivência dos ministérios uma instituição-comunidade participativa. Ponhamos de lado os estilos autoritário e humanista (aquela destruidora da liberdade do homem e esta frequentemente permissiva) de instituição ou comunidade.

(Cf. MANENTI, Vocazione, Psicologia e Grazia…, p. 111)