A pergunta por detrás das perguntas…

… A necessidade por detrás das necessidades, o desejo por detrás dos desejos, a dúvida por detrás das dúvidas, a busca por detrás das buscas, a luta po detrás das lutas…
As diversas manifestações que diariamente expressamos aparentemente, quer do ponto de vista fisiológico, quer social, quer racional ou espiritual têm sempre por detrás uma fonte última, misteriosa, muitas vezes escondida no inconsciente da nossa pessoa.
Se estivermos num trabalho qualquer ou numa aula pelas 12h30, um abrir de boca ou um leve mal-estar estomacal diz-nos que está na hora do almoço = fome (nível psico-fisiológico); no trabalho, pode uma pessoa fazer todos os possíveis por vir antes da hora e propõe-se sair depois da hora de expediente (coisa rara hoje!) = necessidade de consideração pessoal/profissional (nível psico-social); ou então um lacrimejar diante de uma imagem de Nossa Senhora ou diante do Santíssimo Sacramento, poderá ser indício de uma alegria ou de um sofrimento profundo que vai na alma, assim como um desejo forte de fazer voluntariado na Igreja e na sociedade poderão ser sinais de uma necessidades mais perene de oblação ao Senhor e aos irmãos. Assim, nos vários níveis, damos conta que manifestações externas são sinais mais ou menos claros de necessidades internas e vitais.
Sendo a personalidade uma «organização dinâmica, no interior do indivíduo, daqueles sistemas psico-fisiológicos, psico-sociais e psico-racional/espiritual que determinam o comportamento e o pensamento que lhe são característicos»*, então podemos reflectir que o próprio Deus age em nós através dos mesmos processos psicológicos que estão na base e lideram a relação entre os valores, necessidades e comportamentos aos vários níveis: fisiológico, social e racional /espiritual.
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* RAVAGLIOLI, A. M., Psicologia. Studio interdisciplinare della personalità, Ed. EDB, Bologna 2006, p. 80.
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