O apelo à transcendência como estilo de vida

Um dos pressupostos da psicologia ao serviço da vocação é a relação entre a transcendência e a realização de si (auto-realização).
Quanto mais o homem se transcende pelos valores que estão para além e sobre ele próprio, mais se encontrará como criatura renovada. Quanto mais o homem vive os valores propostos por Cristo, com mais intensidade viverá a sua humanidade.
Portanto, não existe dicotomia entre crescimento espiritual e crescimento psicológico.
«O apelo à transcendência colhe e fermenta todas as dimensões autênticas do ser humano, através do qual se torna fonte dinâmica para que ele se possa empenhar na história»*.
Daqui se tira uma conslusão óbvia para quem quer começar o caminho ou crescer na maturação da vocação:
O motivo da escolha e decisão deve ser o Transcendente e os seus valores. A auto-realização é um “efeito colateral” dessa escolha e vivência. Não é o homem,por si só, que se realiza (auto-realiza), mas Deus que Se dá e o transforma.
Por isso, quem responde generosamente ao chamamento já sabe que deixa de ser dono de si próprio, passando a deixar que Outro o oriente por um estilo de vida que o liberta, realiza, fazendo passar pela sua humanidade a salvação para os outros.
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* A. MANENTI, Vocazione, Psicologia e Grazia. Prospettive di integrazione, Ed. EDB, Bologna 2003(6), p. 85.