Psicologia, Ministério e Comuniddade

Reconhecer, curar e prevenir as dificuldades na acção pastoral torna-se hoje um desafio cada vez mais possível, graças ao contributo das ciências humanas que não só do ponto de vista científico tentam conhecer a pessoa, mas também se prestam, desde que não sugeitas a visões redutivas do homem, a uma integração na antropologia cristã.
Começa a desenvolver-se entre nós a convicção de que as dinâmicas da organização comunitária (nas dioceses e paróquias…) podem provocar e reforçar as dinâmicas da personalidade típicas do compromisso ministerial. Ao mesmo tempo pode acontecer que algumas dinâmicas comunitárias podem desenvolver modelos disfuncionais de personalidade.
Neste sentido, podemos distinguir o ministro debaixo de stress e o ministro disturbado*. O primeiro é um membro activo e eficiente de uma realidade pastoral, de uma diocese ou de uma comunidade religiosa, que não está em grau de realizar num modo coerentemente positivo o próprio ministério, por causa de fontes de stress internas e externas de natureza mais ou menos ocacional; o segundo não está em grau de assumir as responsabilidades do ministério por causa da presença de condições médicas debilitantes ou de esquemas comportamentais disfuncionais que se reflectem na ausência de “idoneidade” ou uma interacção negativa entre o ministério e as responsabilidades a ele confiadas.
Enfim, haveríamos de distinguir o que é um estilo de personalidade, sendo esta um conjunto estável e duradoiro de modelos que influenciam as percepções, opiniões, sentimentos e acções do indivíduo. O estilo de personalidade caracteriza-se por modelos sãos e adaptativos; ao invés, os modelos claramente rígidos e disfuncionais, que exercitam uma influência negativa sobre os outros, são chamados distúrbios de personalidade.
Uma combinação adequada dos factores “fontes de stress”, “instâncias do ministério”, “expectativas”, sistemas de suporte e benefícios” dos encargos ministeriais, combinados de forma adequada pode proteger também um ministro que apresente algumas lacunas na capacidade de adaptação; uma combinação inadequada poderia produzir um risco significativo ou uma situação pericolante num ministro altamente eficiente”**.

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* O mesmo que “metido em perigo” ou “pericolante”.
** Cf. LEN SPERRY, Psicologia, Ministero e Comunità, Ed. EDB, Bologna 2007, pp. 13-16.

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