O Todo num fragmento

O Evangelho deste Domingo VI da Páscoa (não esquecer que se celebra até ao Pentecostes!) convidou-nos a escutar a afirmação de Jesus: «Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada» (Jo 14,23).
Cada sentimento, cada afecto, cada atitude, cada passo, cada olhar… que contenha este conteúdo evangélico dentro faz de nós um “fragmento” que contém a totalidade, porque é nas mais banais e concretas corcustâncias históricas e espaciais do nosso dia-a-dia que o Todo se mostra. É nas “janelas” do viver quotidiano que podemos perceber o mistério que se nos dá a conhecer: no tempo, no sorriso, na procura, na dor, na solidão, na insatisfação… (Cf. F. Imoda, Sviluppo umano, psicologia e mistero, Ed. EDB, Bologna 2005, pp. 25-48). É nestes fragmentos da nossa vida, às vezes marcada pela contingência da descontinuidade, que podemos “permanecer no amor de Deus”.