O mistério humano faz-se concreto

A pessoa concreta, em cada seu modo de esistir, vive e manifesta o seu ser mistério. Tudo o que o ser humano faz, seja o bem ou o menos bem, é, no fundo, uma ou uma série de manifestações daquela pergunta, daquela luta ou daquela paixão que exprimem de vários modos, revelando-o ou atraiçoando-o, o mistério da pessoa.

O encontro com a alteridade, a temporalidade, o viver possuindo um corpo (soma), uma alma (psique) e um espírito (pneuma)* são dimensões das quais o homem não pode subtrair-se. Ali vive em forma de luta que se desenvolve com aquilo que o circunda, com uma natureza nem sempre amiga, com os outros umas vezes iguais outras vezes diversos, com um Outro que se deseja e se teme. A luta é também consigo próprio, com o seu passado, presente e futuro, com hábitos, paixões, imagens de si, dos outros ou do mundo que nem sempre estão em harmonia.
O mistério é uma realidade que o homem não pode escolher viver ou não. Pode, sim, decidir o «como» vivê-la, de forma autêntica ou não. Não respeitar este mistério é fruto de uma irresponsabilidade feita de não fazer as perguntas sempre mais profundas, contentando-se com o saber e o permanecer imaturo. Renunciar também àquela luta continuamente solicitada por aquela liberdade responsável e a fuga da temporalidade são sinais de imaturidade.
A fidelidade depende da presença do homem em ser um «meio» para a condição humana, através de um conjunto de mediações das quais depende, por sua vez, o desenvolvimento da pessoa**.
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* Cf. 1Tes 5,23.
** Cf. F. IMODA, Sviluppo umano, Psicologia e Mistero, Edizioni EDB, Bologna 2005, p. 433.