Publicado em Integração Psico-Espiritual

Mistério, Mediação, Continuidade, Método…

… em alternativa a problema, ingerência, descontinuidade e desorientação. Acabámos de viver mais um Dia de Oração pelas Vocações. E a anteceder-lhe a 44ª Semana de Oração pelas Vocações. Mais uma vez a Igreja se mobilizou aqui e além, nos quatro cantos do mundo, nuns mais intensamente do que outros e com várias possibilidades culturais com a problemática das vocações de especial consagração.
Nalgumas programações pastorais a este nível já não se põe só a questão “de especial consagração”, pois começa-se a compreender que as vocações ao sacerdócio e à vida religiosa não estão em crise somente antes da crise do Matrimónio e da Família, mas também depois, ou seja: carecemos de verdadeiras famílias que sejam ambientes de vida cristã, para ao mesmo tempo serem “ninhos” de vocações.
Parece que também na pastoral da Igreja há “dimensões esquecidas”, como no acompanhamento da pessoa humana em crescimento (conferir post do dia 24 de Abril de 2007 neste Blog). A Igreja, vista durante muito tempo como hierarquia, vai sendo felizmente mais vista e vivida como comunhão, segundo a visão eclesiológica do C. Vaticano II. No entanto, muitas das suas dimensões ainda estão muito sugeitas a “dias”, “semanas” ou a “actividades de secretariado”. Não é negativo! No entanto, não basta!
Em conclusão:
A Pastoral Vocacional não é um problema a resolver, mas é um Mistério da Vida da Igreja;
Não é algo que aconteça sem mediações humanas (ingerência), mas necessita de Mediação;
Não é só uma questão de “dias”, “semanas” ou “actividades” mas exige uma Continuidade na consciência, celebração/oração e vida dos crentes durante “todos os dias”;
Não se compadece com a desorientação, pois temos um rumo certo a procurar e seguir – Jesus Cristo -, caminho, verdade e vida, aventura para a qual precisamos de um itinerário e um Método.
Os estudiosos de pastoral vocacional estão de acordo no seguinte:
«Até às portas da idade moderna e contemporânea, não foi dada suficiente importância, seja no campo exigético-teológico seja no campo pastoral, às palavras e ao convite de Jesus: “A messe é grande e os oprários são poucos; pedi, pois, ao dono da messe para que envie operários para a sua messe” (Mt 9,36-37). Em segundo lugar, considera-se adquirido que a pastoral vocacional como hoje é entendida – como organização sistemática – só no nosso tempo é que chegou a ser uma problemática…»*.
Enfim, a promoção da vocações é, em primeiro e único lugar, dever de toda e inteira Igreja: a começar pela Família – primeiríssimos educadores! -, Educadores, Sacerdotes, Párocos e Bispo Diocesano, através das obras diocesanas integradas por todos os responsáveis e coordenadas segundo a sua autoridade**.
Contemplemos continuamente, rezemos e vivamos, com método, o Mistério da Vocação que a todos nos envolve!
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* Vito MAGNO, «2000 anni di annuncio vocacionale», in: Rogate Ergo, 2007(4), p. 7.
** Cf. Código de Direito Canónico, can. 233.

Autor:

Padre da Diocese de Viseu