Acompanhar no autêntico crescimento cristão

Pergunto se a maioria das pessoas que professam a sua fé e a celebram na liturgia (para não falar dos que crêem, mas que não praticam) já se deram conta que essa prática tem um objectivo muito próprio: crescer na identidade que significa ter Jesus Cristo como valor mais importante no centro das suas vidas; dando conta que essa prática não pode ser “de manutenção”, nem mágica, nem “de amuleto”.

Não são as qualidades físicas (do que se vê) que me dão identidade, mas o meu ser criado à imagem de Deus. É aqui que entra a questão do autêntico crescimento cristão, que implica a capacidade, da parte de cada crente, de assimilar os dados revelados a que temos acesso pela Sagrada Escritura e usá-los como “grelha de leitura”, como modo de interpretar a vida de todos os dias1.

Será assim que poderemos melhor propor uma actividade de acompanhamento vocacional: como obra de mediação (é Deus que chama e cada interlocutor individualmente responde!), conduzindo cada acompanhado (que se deixa acompanhar!) ao reconhecimento da verdade de si próprio a partir do fio condutor que liga os factos e as circunstâncias, às vezes banais e até contraditórias ― uma vez acolhidos e assumidos ― harmonizando-os com a Palavra de Deus.

Por mais actividades de promoção vocacional que se façam, sem um “dar as mãos” com a pastoral catequética, familiar, juvenil, etc., ― alinhando todos estes organismos e serviços num mesmo método que poderia aprender ou reaprender esta capacidade de ajudar os interlocutores de Deus a ler a sua história a partir da sua revelação de amor que chama em vista de uma resposta2 ― parece-me difícil que essa promoção vocacional tenha muita força!…

Para não terminar em tom de pessimismo ― mas passando do realismo à esperança ― dêmos ouvidos ao Espírito, primeiro protagonista do acompanhamento vocacional3.

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1 Cf. Roberto ROVERAN, Per un’efficace pedagogia: i colloqui de crescita vocazionale, in: Tredimensioni, 2/2004, p. 178.

2 Uma aplicação desta pedagogia sobretudo no acompanhamento vocacional poderá ser fomentada com o contributo profundo de A. CENCINI ao apresentar-nos o modelo histórico-bíblico (autobiografia), modelo mariano (aspecto genático), modelo Paulino (aspecto dinâmico) e modelo evangélico (tensão cristocêntrica) do dinamismo da fé, in: IDEM, I sentimenti del figlio, pp. 117-133.

3 Cf. Pastores Davo Vobis, 69.

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