navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1: Nm 21, 4-9; Sl 101 (102), 2-3. 16-18. 19-21; Ev: Jo 8, 21-30

A liturgia de hoje começa a elevar-nos o olhar para a cruz gloriosa de Cristo. A mensagem central das leituras foca-se na salvação através do olhar de fé para Cristo “levantado” na Cruz, estabelecendo um paralelo entre o Antigo e o Novo Testamento.

A elevação de Cristo na Cruz pelos seus inimigos é o mesmo gesto de que Deus Se aproveita para nos salvar da “serpente” do pecado.

Deus foi/é sempre o Deus da cura e libertação. A primeira leitura recorda o episódio do povo de Israel no deserto. Ao murmurarem contra Deus e Moisés por causa do cansaço e da falta de alimento, o povo é castigado com serpentes venenosas. A cura surge quando Moisés, por ordem divina, levanta uma serpente de bronze num poste: quem olhasse para ela com arrependimento e fé, ficava curado. A mensagem aqui é que Deus oferece um caminho de cura mesmo após a infidelidade humana.

No Evangelho, Jesus utiliza a imagem da serpente de bronze para falar de Si mesmo, ao afirmar: “Quando levantardes o Filho do homem, então sabereis que ‘Eu sou’”. A crucificação, paradoxalmente, é a sua exaltação e glória. É na Cruz que a verdadeira identidade de Jesus como enviado do Pai (“Eu sou”) é revelada; há aqui um paralelismo, também, com a resposta de Deus a Moisés no Monte Sinai: “Eu sou” (Ex 3). A Cruz do calvário, será a nova sarça-ardente para um encontro de libertação. A salvação depende de acreditarmos n’Ele para não “morrermos no pecado”.

Qual deverá ser a nossa atitude crente, ao aproximar-se a Semana Santa? Pode ser a que o Salmo 101 nos sugere: “Ouvi, Senhor, a minha oração, chegue até Vós o meu clamor”. Reforça a necessidade de humildade e de recorrer a Deus nos momentos de aflição, neste caminho de deserto. A Oração Coleta do dia pede a “perseverança no fiel cumprimento da vossa vontade”. Também nos pode servir de inspiração a memória dos Missionários Mártires e de S. Óscar Romero, que deram a vida pela fé em Cristo por uma entrega total a Deus e aos pobres.