L 1: Dn 13, 1-9.15-17.19-30.33-62 ou Dn 13, 41c-62; Sl 22 (23),1-3a.3b-4b.5.6; Ev: Jo 8, 1-11
A liturgia de hoje coloca-nos diante do olhar a história de duas mulheres, com duas histórias poderosas sobre a relação entre o julgamento e a misericórdia: a Susana e a mulher apanhada em adultério. Na história da primeira refere-se o nome, no caso da segunda esconde-se o nome.
São 4 as lições que podemos tirar da relação entre as duas leituras e da postura diante destas duas mulheres:
1. A Diferença entre o Julgamento Humano e o Divino
Na primeira leitura, dois anciãos (juízes do povo) usam a sua autoridade para condenar uma inocente (Susana) a fim de esconderem o seu próprio pecado. No Evangelho, os mestres da Lei usam uma mulher pecadora como “isca” para armar uma cilada a Jesus. Lição: A liturgia alerta-nos para a hipocrisia de julgar os outros para desviar a atenção das nossas próprias falhas. Enquanto o julgamento humano é muitas vezes impiedoso e instrumental, o julgamento de Deus procura a verdade e a salvação.
2. “Quem de vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra”
Esta frase central do Evangelho de hoje é um convite ao exame de consciência. Jesus não nega o pecado da mulher, mas questiona a autoridade moral daqueles que querem executá-la. Lição: Antes de condenarmos o próximo, somos chamados a olhar para o “chão” do nosso próprio coração. A consciência da nossa própria fragilidade deve gerar em nós uma atitude de compreensão e não de condenação.
3. A Esperança na Justiça de Deus (O Salmo 22/23)
O Salmo escolhido para este dia é o famoso “O Senhor é meu pastor, nada me faltará”. Mesmo no “vale tenebroso” da injustiça (como Susana enfrentou), a liturgia recorda que Deus não abandona os seus fiéis. Lição: A confiança em Deus permite-nos enfrentar calúnias e injustiças com a serenidade de quem sabe que a última palavra pertence ao Senhor, que “restaura as nossas forças” e nos guia “pelo caminho mais seguro”.
4. O Convite à Vida Nova: “Vai e não peques mais”
Jesus não condena a mulher, mas também não é indiferente ao erro. Ele oferece-lhe uma oportunidade de recomeço. Lição: A misericórdia de Deus não é uma autorização para continuar a pecar, mas sim a força necessária para mudar de vida. A lição final é a da conversão quaresmal: Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva.
Em síntese: A lição desta liturgia é que o olhar de Deus sobre nós não é de condenação, mas de libertação. Somos convidados a abandonar as pedras que temos nas mãos e a acolher a misericórdia que nos permite caminhar de novo.
