L 1: 2Rs 5, 1-15a; Sl 41 (42), 2-3; 42, 3. 4; Ev: Lc 4, 24-30. Reflexão inspirada em parte em VV.AA. Comentários à Bíblia Litúrgica. Assafarge: Gráfica de Coimbra 2, 2007.
Satisfazendo as esperanças do Antigo Testamento, Jesus apresentou-Se como o princípio de um mundo novo, sintetizado na libertação dos oprimidos e na plenitude de vida para os pobres. E obtém desta apresentação dois tipos de resposta: uma primeira de admiração, por parte daqueles que constituirão a primeira base da Igreja; e uma segunda resposta de escândalo e rejeição. E esta rejeição acontece por duas razões: o não reconhecimento da verdadeira identidade de Jesus e a ambição pelos milagres. Jesus não responde, limitando-se a proferir um ditado e a recordar o que aconteceu com Elias e Eliseu.
A utilidade desta liturgia, para nós, servirá para avaliarmos os conteúdos da nossa fé, com as seguintes interrogações:
1. Como reagimos ao facto de Deus ter vindo revelar-Se por meio de um homem exteriormente igual aos outros? Esquecemo-nos frequentemente que, por sua vez, Jesus Se mostre nos mais frágeis e desfavorecidos ou nos que O procuram.
2. Tendemos a basear a nossa fé em milagres aparatosos? Recordemos que o único milagre é Jesus, a sua palavra, o sinal da sua vida, o testemunho da sua morte, interpretada à luz da mensagem da Páscoa.
Se não aprofundarmos a fé nesta direção, é muito possível que nos aconteça o mesmo que a Israel de outrora: talvez que percamos o Profeta enquanto outras pessoas de outros povos O encontram.
Fiquei chocado ao ler a notícia de que mais de 80 crianças morreram desde o início da ofensiva de Israel no Líbano. A denúncia é do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para o Médio Oriente e Norte de África, acrescentando que 254 crianças ficaram feridas nos ataques israelitas contra o Líbano, desde 2 de março. Parece que, em média, mais de dez crianças foram mortas todos os dias no Líbano. O dirigente da ONU referiu que “enquanto os ataques militares continuam por todo o país, as crianças estão a ser mortas e feridas a um ritmo alarmante e as famílias estão a fugir das suas casas com medo e milhares de crianças, agora, dormem em abrigos frios e sobrelotados”. Outro fenómeno é a deslocação em massa: 700 mil pessoas, incluindo cerca de 200 mil crianças, estão a deixar as suas casas, somando-se às dezenas de milhares já deslocadas por escaladas de violência anteriores”. Nos últimos meses, as forças israelitas lançaram ataques aéreos contra o Líbano, apesar do cessar-fogo alcançado em novembro de 2014, alegando estar a apenas a visar alvos do Hezbollah. Esta semana, avançaram para ocupar posições terrestres em território libanês.
As crianças são o curativo do futuro, mas só se as defendermos e cuidarmos delas. Foi por causa da co-profecia de uma criança que o sírio Naamã teve a possibilidade de encontrar a cura. Por isso, hoje, rezo pela Unicef e por todos os voluntários, misisonários e missionárias que fazem o seu trabalho “escondidos”, em favor de todas as crianças que sofrem as consequência da guerra e de todas as pessoas vulneráveis pela idade avançada e por todo o tipo de doenças. Oremos, irmãos.
