navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1: Est 4, 17. n. p-r. aa-bb. gg-hh; Sl 137 (138), 1-2a. 2bc-3. 7c-8; Ev: Mt 7, 7-12. Reflexão inspirada em parte em VV.AA. Comentários à Bíblia Litúrgica. Assafarge: Gráfica de Coimbra 2, 2007.

Hoje, Jesus, deixa-nos uma regra de ouro para a nossa relação com os outros, seja quem for: «o que quiserdes que os homens vos façam fazei-lho vós também». Nada de novo em relação ao judaísmo e noutras religiões e culturas.

Com duas diferenças:

  1. No judaísmo é formulada negativamente: «não faças aos outros o que não quiseres que te façam a ti». E Jesus formula-a positivamente. É uma diferença importante.
  2. Mas a diferença maior está em que Jesus eleva essa regra a princípio universal, pois resume toda a Lei e os Profetas, uma síntese muito concreta da revelação de Deus.

O ato de confiança que Jesus nos sugere no início do Evangelho na relação com o Pai ─ diante do qual não é um abuso “pedir”, “procurar”, “bater à porta” com insistência ─ insinua que, em comparação com o que os pais costumam fazer com os seus filhos, nunca é humilhante pedir seja o que for no âmbito da filiação divina e no projeto que Deus tem para cada pessoa. Numa das homilias do bispo Santo Anselmo, lê-se que “nem esta ovelha nem este pastor são propriamente uma ovelha e um pastor; são figuras de uma realidade mais profunda”. Assim, também, as figuras relacionais humanas, assim como os bens ali figurados no Evangelho ─ “pedra”, “pão”, “serpente” e “peixe” ─ do mesmo modo são aproximações a realidades mais profundas, quer de coisas que o Senhor nos quer dar, quer de coisas das quais Ele nos quer afastar.

Num texto inspirado em Santo Afonso Maria de Ligório, de oração diante de Jesus Sacramentado, propõe-se que se reze assim, de acordo com o Evangelho de hoje:

Não é preciso, meu filho, que saibas falar muito e bem para que goste do que Me dizes. Basta que me ames. Por isso, fala-me com simplicidade, como farias com o teu melhor amigo, ou com a tua mãe, ou com o teu irmão. Queres pedir-Me por alguém? Diz-me o seu nome, seja o de teus pais, teus irmãos ou amigos; e diz-Me o que queres que eu faça por eles. Pede muito, muito, não duvides se deves ou não pedir. Agrada-me que o teu coração seja generoso, que te esqueças de ti mesmo para pedir pelas necessidades dos outros. Fala-me dos pobres a quem queres consolar, dos doentes que vês padecer, dos que sabes que não Me amam e que desejas que voltem ao bom caminho. Fala-me dos teus amigos, um a um. Que queres para eles? Faz uma prece por cada um deles um pedido. Diz-me por todos uma palavra de amigo, uma palavra do fundo do coração, íntima e fervorosa. Recorda-Me que Eu prometi escutar todos os pedidos que saem do coração; e não é verdade que te saem do coração todas essas coisas que pedes pelas pessoas de quem gostas? Lembra-te que Eu sou o dono dos corações e que docilmente os levo, sem que deixem de ser livres, para onde Eu quiser. E para ti? Não necessitas de nenhuma graça? Faz-Me, agora, uma lista de tuas necessidades, das coisas que queres melhorar em ti e lê-a na minha presença. Diz-Me francamente que sentes orgulho, amor à sensualidade e ao dinheiro; que talvez és inconstante, que buscas o mais fácil e cómodo, que és egoísta e só pensas em ti e não te preocupas Comigo e com os outros. Não tenhas vergonha. Pobre alma! Não dás conta que, no céu, há tantos santos que tiveram os mesmos defeitos que tu! Mas eles foram humildes, pediram-me ajuda, lutaram e venceram. Não hesites em pedir-Me tudo o que precisas. Mesmo que sejam bens materiais ou corporais: saúde, memória, êxito nos teus trabalhos, negócios ou estudos. Não vês que tudo isso e muito mais Eu posso dar-te? Pede-Me e dar-to-ei desde que não se oponha aos planos que tenho para ti e para a tua felicidade e santificação. Neste momento de que necessitas? O que é que posso fazer por ti? Se soubesses quanto a vontade que tenho de te ajudar…! O teu trabalho, os teus estudos, servem-Te para estar cada dia mais perto de Mim? Porque não Mo ofereces e assim poder-te-ei dar toda a Minha graça? Em que andas metido agora? Tens algum projeto entre mãos? O que te preocupa, em que pensas? Conta-me tudo com detalhes. Que posso Eu fazer por ti? Tens os meios de que precisas?