navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1: Sir 15, 16-21 (15-20); Sl 118 (119), 1-2. 4-5. 17-18. 33-34 L 2: 1Cor 2, 6-10 Ev: Mt 5, 17-37, no VI Domingo do Tempo Comum (A)

Quando estou com os mais novos em ambiente de reflexão sobre o sacramento da reconciliação, costumo perguntar-lhes se, tendo computador ou consola de jogos, gostam de ouvir falar quando sai um novo jogo ou versão de software mais usado. Obviamente, acenam a cabeça no sentido de um sim. Digo-lhes: também eu! Vou imediatamente instalar a nova versão daquele programa que me ajuda a ser mais eficiente no meu trabalho de preparar a pastoral. Depois, passo para o objetivo desta metáfora: também nós, seres humanos somos convidados a deixarmos instalar dentro de nós uma versão melhor de nós mesmos, para sermos mais felizes e eficientes nas nossas vidas. É isso que Jesus quer fazer em nós através do sacramento da penitência, com o seu perdão e a sua graça.

Claramente, como dizem os exegetas bíblicos, Jesus não veio escrever mais linhas de código legal, uma vez que já existem muitas. Ele veio, foi, ajudar a ver o que não estava a ser visto: não é possível o ser humano vir a ser fiel a Deus através da sua liberdade, se não for pela contemplação e realização da sabedoria de Deus. Por isso, diz Ele que não veio revogar, mas completar. É curioso, voltando àquela metáfora informática, que os construtores de código de programação não costumam anular o código feito por outros, mas deixam-no ficar dentro, inativando-o ou desligando-o com símbolos como <!– (código) –>, mas legível, para se saber o caminho que se percorreu até ali. Assim, o código evolui, mas sem esconder o caminho, mas tornando-o mais eficiente. Jesus foi uma espécie de programador, ajudando-nos a viver o essencial sem ignorar o acessório. Sendo que este acessório não se pode sobrepor ao essencial. E, para Ele, o essencial é atender às causas e não somente aos sintomas. Quando, informaticamente, vemos que uma coisa está a correr mal, por exemplo, uma impressora não está a imprimir uma folha de texto conforme o comando dado no computador, imediatamente vamos ver o que causou este fraco desempenho, no hardware ou no software. O mesmo se passa com a nossa vida humana e cristã: não basta não matar, é preciso vasculhar dentro da pessoa que matou ou está prestes a cometer um crime que “software” ou que ideias de ira estão para causar essa desgraça. O mesmo se diga das celebrações em relação às relações com os irmãos, a fidelidade entre esposos e o olhar adúltero ou a tendência para descartar o cônjuge por tudo e por nada, e o juramento inútil.

Para um bom “software” da alma, que ajuda viver aquilo para que fomos criados e chamados, continua a ser possível com a linguagem binária, como continua a ser possível a construção de jogos e, portanto, também o “jogo” da vida cristã, como Jesus diz: “sim, sim” e “não, não”. Como a sucessão ordenada de “1” e “0”, na linguagem de programação.